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Conheça os conceitos científicos em 'Vingadores: Ultimato'

Vingadores:Ultimato (Foto: Reprodução/Marvel)

 

No final de Vingadores: Guerra Infinita, metade da população (incluindo heróis e vilões) no universo somem com o estalar do dedo de Thanos. Então, como poderia Vingadores: Ultimato tentar trazer as pessoas de volta?

Bem, com um dispositivo de enredo já experimentado no cinema: a viagem no tempo. Acrescente jargões científicos, como a mecânica quântica, proposições Deutsch, autovalores e fitas invertidas de Möbius.

Mas não pense que tudo que você vê no filme foi criado por algum roteirista maluco. Muitos conceitos de viagem no tempo em "Ultimato" estão conectados, pelo menos em nome, à moderna teoria científica, de simulação e especulação.

Vamos mergulhar na ciência e discutir se autovalores podem realmente salvar o universo, mas estejam avisados: SPOILERS NOS PRÓXIMOS PARÁGRAFOS!

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Viagem no tempo 101
A principal premissa do novo longa é que a única coisa que pode reverter as mortes são as coisas que as provocaram: as poderosas Pedras do Infinito. O problema é que Thanos as destruiu, sendo que as pedras só estão disponíveis no passado. Recuperá-las exigirá uma jornada complicada para os Vingadores restantes.

A viagem no tempo é realmente possível? Sabemos que, desde que Albert Einstein apresentou sua Teoria da Relatividade há mais de 100 anos, a viagem no tempo é relativamente "fácil". Tudo o que você precisa fazer é se aproximar da velocidade da luz e, teoricamente, poderá viajar milhões ou até bilhões de anos para o futuro. 

Mas você poderia voltar? Esse feito parece ser muito mais difícil. Estes são alguns desafios e possíveis soluções: 

O paradoxo do avô
Viajar de volta no tempo pode causar inconsistências lógicas aparentes na realidade, como o  conhecido paradoxo do avô. Se você voltasse no tempo e matasse seu avô mais jovem, você nunca poderia nascer. Mas se você não nasceu, como voltou e o matou? 

Imagem animada explica o paradoxo do avô (Foto: iimages / 123rf.com / Michael Milford)

 

Cientistas têm várias teorias sobre esses ciclos de tempo (físicos os chamam de curvas fechadas de tipo tempo). Algumas hipóteses afirmam que tais laços são apenas fisicamente impossíveis e, portanto, voltar no tempo nunca poderia acontecer.

Mas também sabemos, graças a Einstein, que buracos negros giratórios podem distorcer o espaço e o tempo. É por isso que um dos lados é mais brilhante do que o outro na primeira fotografia feita de um buraco negro

Viagem no tempo em Ultimato
Neste filme, os personagens tiram sarro de outros longas com viagem no tempo, como De Volta Para o Futuro e a saga Exterminador do Futuro, nos quais é possível mudar o passado e o futuro."

Em vez disso, "Ultimato" traz a ideia de realidade alternativa, na qual qualquer mudança no tempo faz com que um novo universo seja criado. É o chamado splitting ou ramificação de múltiplas linhas de tempo. Na física, é a Interpretação de Muitos Mundos.

Para evitar esse problema, os Vingadores planejam pegar as Pedras do Infinito no passado, usá-las no presente, mas devolvê-las exatamente no mesmo momento, uma vez que tenham terminado sua missão. Mas isso poderia funcionar? 

Imagem animada mostra a linha do tempo de Vingadores:Ultimato (Foto: lilu330 / 123rf.com / Michael Milford.)

 

Mecânica quântica
Existem, de fato, teorias emergentes sobre viagens no tempo quântico, incluindo algumas que poderiam resolver o paradoxo do avô.

Na mecânica quântica, as partículas atômicas são mais parecidas com ondas indistintas de probabilidade. Por exemplo, você nunca pode saber exatamente onde uma partícula está e em qual direção ela está se movendo. Você sabe somente que há uma certa chance de estar em um determinado lugar.

O físico britânico David Deutsch, mencionado no longa, combinou essa ideia com a Interpretação de Muitos Mundos e mostrou que o paradoxo do avô pode desaparecer, caso você expresse tudo de maneira probabilística.

Como as partículas, a pessoa que volta no tempo tem apenas uma certa probabilidade de matar seu avô, quebrando o ciclo de causalidade. Isso foi simulado com sucesso.

Isso pode parecer estranho, e embora alguns dos jargões usados ​​em 'Ultimato" possam parecer um pouco exagerados, a ciência quântica é ainda mais estranha do que os cineastas imaginam. Até mesmo cientistas lutam para entender as suas verdadeiras implicações.  

Cartaz de "Vingadores: Ultimato" (Foto: Vingadores)

 

Terminologia para efeito
As cenas da teoria da viagem no tempo estão cheias de jargões técnicos, alguns usados de maneira equivocada, mas outros são corretas. Estes são alguns:

Autovalores: ao discutir sua abordagem para viajar no tempo, Tony Stark e Bruce Banner mencionam a palavra. Este é, provavelmente, um exemplo de matemática apenas para efeito nos filmes, já que autovalores são um conceito de baixo nível (básico) em álgebra linear. 

Escala de Planck: trata sobre coisas muito pequenas. Comprimento de Planck, tempo e massa são unidades básicas usadas em física. Um comprimento de Planck é de 1,616 × 10−35m. Isso é muito pequeno. É a distância que a luz viaja em uma unidade do tempo de Planck – que também é uma quantidade muito pequena de tempo. Dado que o filme é sobre viagens no tempo baseadas na mecânica quântica, as escalas de bate-papo de Planck não parecem muito distantes do assunto. 

Tira de Möbius invertida: O jargão também discute a inversão de uma fita de Möbius. Uma fita de Möbius normal é uma superfície com apenas um lado. Você pode criar uma pegando uma tira de papel, torcendo-a uma vez e depois colando-a. Embora uma faixa de Möbius tenha uma gama de propriedades matemáticas interessantes, sua relevância técnica para as viagens no tempo é tênue, além de algumas tentativas de alto nível para explicar o paradoxo do avô. 

Fita de Möbius (Foto: Index-0/Wikimedia Commons)

 

Veredito final
De uma perspectiva científica, é intrigante ter um filme com um enredo baseado em viagens no tempo. "Ultimato" não atrai muitos ao mergulhar diretamente no jargão e nas implicações de vários cenários de voltar ao passado. 

Enquanto parte da terminologia matemática está claramente apenas para efeito, o roteiro faz um esforço razoável para aderir ao atual pensamento sobre viagem no tempo – até certo ponto.

Viagem no tempo é um daqueles conceitos científicos cativantes que talvez esteja longe de ser implementado pelos cientistas. Assim, seu papel central em um longa sobre super-heróis que podem voar, destruir universos e mudar a realidade talvez seja apropriado. 

*Michael Milford e Peter Stratton são pesquisadores da Queensland University of Technology, nos Estados Unidos. Este artigo foi escrito originalmente em inglês e publicado no The Conversation

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