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Os monges japoneses que se mumificam enquanto ainda estão vivos

Muito frequentemente as pessoas associam as múmias com os antigos egípcios. No entanto, o que muitos não sabem é que não eram só os egípcios que tinham como cultura a mumificação de seres humanos e animais mortos. Aliás, eles provavelmente nem foram os primeiros.

O povo Chinchorro, do Chile, já mumificava seus mortos desde 5000 a.C. A primeira múmia egípcia só foi surgir 2 mil anos depois. O processo de mumificação também ocorre de forma natural. Os Incas, por exemplo, o faziam expondo seus mortos às temperaturas frias e ao clima seco.

Entre 1801 e 1903, aproximadamente 20 monges Shingon vivos se mumificaram com sucesso em uma tentativa de se tornar um “Buda nesse corpo”. Eles fizeram uma dieta bastante restrita nas Montanhas de Dewa, no Japão. Os monges trabalharam para desidratar o corpo de dentro para fora.

Eles se livraram da gordura, músculo e umidade antes de serem enterrados em uma caixa de pinho para meditar nos últimos dias que teriam na Terra. Essa mumificação pode parecer uma coisa pontual e particular dos monges japoneses, mas muitas culturas praticam a mumificação.

O autor Ken Jeremiah escreveu, em seu livro Living Buddhas: the Self-Mummified Monges of Yamagata, Japan, que muitas religiões do mundo reconhecem um cadáver bem conservado como uma forma de transcender o reino físico.

No caso dos monges Shingon, eles não são a única seita religiosa a praticar a mumificação, mas estão entre os mais famosos a praticar o ritual. Isso porque vários de seus participantes conseguiram se mumificar enquanto ainda estavam vivos.

Os monges, em seu caminho para se tornarem Buda, buscavam redenção para a salvação da humanidade e viam nesse ato de sacrifício uma forma de dar acesso ao céu Tusita. Lá eles viveriam por 1,6 milhão de anos e seriam abençoados com a capacidade de proteger os humanos na Terra.

E para chegar a Tusita, eles precisavam de seus corpos físicos. E para isso eles fizeram uma jornada devota e dolorosa. Eles se mumificavam de dentro para fora, para que pudessem evitar a decomposição depois da morte.

Esse processo levava pelo menos três anos e o método foi sendo aperfeiçoado e adaptado ao longo dos séculos. Eles também foram se adaptando ao clima úmido que, normalmente, é inadequado para a mumificação de um corpo.

Mumificação

No começo do processo de auto-mumificação, os monges faziam uma dieta conhecida como mokujikigyo, que significa comer árvore. Os monges se alimentavam apenas de raízes de árvores, nozes e bagas, cascas de árvores e agulhas de pinheiro. E algumas rochas fluviais foram encontradas na barriga de uma múmia.

Eles faziam a dieta por duas razões. A primeira era para começar a preparação biológica do corpo, já que isso eliminava a gordura e os músculos. E também impedia a decomposição futura já que deixava as bactérias sem os nutrientes do corpo.

E em um nível espiritual, essa busca por comida teria um efeito de amadurecimento da moral do monge. Isso o disciplinaria e encorajaria à contemplação.

A dieta duraria cerca de mil dias, mas isso poderia se repetir duas ou três vezes para que eles melhorassem até chegar a próxima fase. E para começar o processo de embalsamamento, os monges faziam um chá de urushi, que é uma seiva da árvore chinesa da laca. Isso faria seus corpos tóxicos para qualquer invasor como insetos depois que eles morressem.

Os monges continuavam o seu processo bebendo uma pequena quantidade de água com sal. E à medida que a morte se aproximava, eles se deitavam em uma pequena caixa de pinho e os seus companheiros a colocavam aproximadamente três metros abaixo da superfície.

O caixão tinha uma vara de bambu para que os monges conseguissem respirar. E junto ao bambu, existia um pequeno sino para que os monges pudessem avisar que ainda estavam vivos. A meditação acontecia por dias.

E quando o sino parava de tocar, era sinal de que o monge do caixão tinha morrido. Então os que ficaram na superfície, selavam a tumba e deixavam o cadáver por mil dias.

Desenterrar

Depois de desenterrar o caixão, os monges inspecionavam o corpo procurando sinais de decadência. E se não encontrassem, eles acreditavam que o monge então tinha chegado ao céu. Então eles vestiam os corpos e os colocavam em templos para adoração. E para os que tinham tais sinais de decadência, eles faziam um pequeno enterro.

Essa matéria Os monges japoneses que se mumificam enquanto ainda estão vivos foi criada pelo site Fatos Desconhecidos. E somente copiada por esse portal.

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