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O que seis tipos de nuvens revelam sobre o clima

Nuvem do tipo cumulus (Foto: BCR95/Wikimedia Commons)

 

Previsões do tempo modernas usam simuladores de computador complexos que usam todas as equações físicas que descrevem a atmosfera, inclusive o movimento do ar, o calor do sol, e a formação de nuvens e de chuvas.

Melhorias incrementais ao longo dos anos significam que previsões de temperatura modernas de cinco dias são tão boas quanto as previsões de três dias eram feitas há duas décadas.

Mas você não precisa de um supercomputador para prever como o clima provavelmente vai mudar nas próximas horas — isso é algo conhecido em diferentes culturas há milênios. Ao olhar para o céu, sabendo um pouquinho sobre como as nuvens se formam, você pode prever se a chuva está a caminho.

 

E um pequeno entendimento da física por trás da formação de nuvens destaca a complexidade da atmosfera, e mostra por que prever a temperatura para além de poucos dias é um problema tão desafiador. Então aqui estão seis nuvens para prestar atenção, e como elas podem ajudar você a entender o clima: 

1. Cumulus
As nuvens se formam quando o ar esfria para o ponto de orvalho, temperatura na qual o ar não consegue mais segurar todo o vapor d’água. Nessa temperatura, o vapor condensa para formar pequenas gotas de água líquida, que nós enxergamos como nuvens. Para esse processo acontecer, é necessário que o ar seja forçado a subir na atmosfera, ou que ar úmido entre em contato com uma superfície fria.

Em um dia ensolarado, a radiação solar aquece a terra, que por sua vez aquece o ar. Esse ar quente sobe por convecção e forma as nuvens Cumulus. Essas nuvens de “tempo bom” parecem lã de algodão. Elas têm uma base plana, e todas ficam mais ou menos no mesmo nível no céu. A essa altura, o ar da superfície esfriou até o ponto de orvalho. As nuvens cumulus em geral não provocam chuva — assim, o clima ficará estável.

2. Cumulonimbus
Embora as pequenas cumulus não provoquem chuva, se elas se tornarem mais largas e aumentarem em tamanho para cima na atmosfera, é sinal de que chuva intensa está a caminho. Isso é muito comum no verão, com nuvens cumulus da manhã evoluírem para cumulonimbus (nuvens de tempestade) durante a tarde. 

Nuvens de tempestade cumulonimbus (Foto: Pexels/Creative Commons)

 

Perto do solo, as cumulonimbus costumam ser bem definidas, mas quanto mais altas, mais elas parecem finas nas bordas. Essa transição indica que a nuvem não é mais feita de gotículas de água, e sim cristais de gelo. Quando o vento sopra as gotas de água para fora da nuvem, elas rapidamente evaporam no ambiente mais seco, dando bordas afiadas às nuvens de água. Por outro lado, cristais de gelo fora da nuvem não evaporam rapidamente, dando essa aparência mais difusa.

As cumulonimbus em geral têm topo reto. Dentro delas, o ar sobe por convecção. Ao fazê-lo, ele geralmente esfria até ficar na mesma temperatura da atmosfera ao redor. Neste nível, o ar não flutua mais e não pode mais subir, espalhando para os lados e formando a forma de bigorna característica das nuvens cumulonimbus.

3. Cirrus
As cirrus se formam muito altas na atmosfera. Elas são difusas, pois são compostas quase que inteiramente de cristais de gelo que caem na atmosfera. Se forem carregadas horizontalmente por ventos que se movem em diferentes velocidades, elas ganham um formato de gancho característico. Só em altitudes ou latitudes muito altas as cirrus provocam chuva no nível da superfície. 

Nuvens do tipo cirrus (Foto: Wikimedia Commons)

 

Mas se você notar que as cirrus estão começando a cobrir a maior parte do céu, e ficando mais baixas e grossas, isso é um bom sinal de que uma frente de calor está se aproximando. Em uma frente de calor, uma massa de ar quente e fria se encontram. O ar quente mais leve é forçado acima do ar frio, provocando a formação de nuvens. O abaixamento das nuvens indicam que a frente de calor está cada vez mais próxima, e indicam um período de chuva nas próximas 12 horas.

 

4. Stratus
Stratus é como se fosse uma folha de nuvens contínuas que cobrem o céu. Ele se forma ao gentilmente levantar o ar, ou por ventos leves levantarem o ar úmido acima de uma superfície fria ou de mar. A nuvem stratus é fina, então apesar de darem uma aparência sombria ou triste, é improvável que chova, no máximo será um chuvisco leve. Stratus é idêntico à neblina, então se um dia você caminhou na neblina nas montanhas, você estava caminhando nas nuvens. 

Nuvem do tipo stratus é a neblina (Foto: Famartin/Wikimedia Commons)

 


Os próximos dois tipos de nuvens não ajudam a prever a tempratura, mas dão um vislumbre dos movimentos extraordinariamente complexos da atmosfera.

5. Lenticular
Macias e em formato de lente, as nuvens lenticulares se formam quando o ar é soprado para cima e além de uma cadeia de montanhas. Quando ultrapassam a montanha, o ar afunda de volta ao nível anterior. Enquanto afunda, aquece e as nuvens evaporam. Mas elas podem transcender, e neste caso a massa de ar sobe novamente, permitindo que outra nuvem lenticular se forme. Isso pode levar a uma corrente de nuvens, que se estendem para a além da cadeia de montanhas. A interação do vento com as montanhas e outros tipos de superfície é um dos muitos detalhes que precisam ser representados em simuladores de computador para conseguir previsões do tempo precisas. 

Nuvem lenticular (Foto: Pixabay/LisaRedfern/Creative Commons)

 

6. Kelvin-Helmholtz
Por último, minhas favoritas. A nuvem Kelvin-Helmholtz parece ondas do mar quebrando. Quando massas de ar em diferentes alturas de movem horizontalmente em diferentes velocidades, a situação fica instável. O limite entre as massas de ar começa a se agitar, eventualmente formando ondas maiores. 

Nuvem Kelvin-Helmholtz parece ondas do mar (Foto: Astronautilus/Wikimeia Commons)

 

As nuvens Kelvin-Helmholtz são raras — a única vez que vi uma foi em Jutland, no oeste da Dinamarca — porque só conseguimos ver esse processo na atmosfera se massas de ar baixas contêm uma nuvem. A nuvem pode traçar as ondas que quebram, revelando a complexidade das movimentações outrora invisíveis sobre nossas cabeças.

*Hannah Christensen é pesquisadora de Física Planetária e de Atmosfera Oceânica na Universidade de Oxford, no Reino Unido. Este artigo foi escrito originalmente em inglês e publicado no The Conversation.

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