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Estudo aponta como reduzir risco de trombose em mulheres astronautas

Voos espaciais tem relação com trombofilia em mulheres astronautas (Foto: Creative commons)

 

 

 

 

 

 

 

Um estudo feito com astronautas do sexo feminino, publicado no início de maio na revista Aerospace Medicine and Human Performance, aponta algumas orientações voltadas para mulheres astronautas sobre a prevenção da trombose venosa profunda (TVP) em missões espaciais.

O tema veio à tona após o caso incomum de um astronauta não identificado ser diagnosticado e tratado comum coágulo sanguíneo durante um voo na Estação Espacial Internacional, em 2019. A preocupação de que uma ocorrência como essa aconteça novamente recaiu principalmente sobre as mulheres astronautas, que geralmente fazem o uso de pílulas anticoncepcionais combinadas (que contém estrogênio e progesterona) para evitar menstruar durante o trabalho no espaço. Estes medicamentos são fatores de risco para o desenvolvimento de TVP.

 

 

 

Felizmente, ao analisar os dados de saúde de 38 mulheres astronautas que participaram de missões especiais entre 2000 e 2014, os pesquisadores não encontraram qualquer associação entre o uso de anticoncepcionais combinados, os voos espaciais e o desenvolvimento de trombose.

Ainda assim, os autores do estudo liderado por Varsha Jain, pesquisadora visitante do King's College London, no Reino Unido, fizeram algumas sugestões para que os riscos sejam reduzidos.

Pílulas cósmicas

Segundo a amostra de astronautas que participaram da pesquisa, a média de idade de uma mulher que vai ao espaço é de 44,6 anos — idade em que, na Terra, o uso de anticoncepcionais combinados não seria recomendado, por causa dos riscos de desenvovler um coágulo.

Mesmo assim, estes medicamentos são indicados para as astronautas para interromper o ciclo menstrual, já que as condições de higiene no espaço são bastante limitadas. "Quando ingerida continuamente, a pílula pode impedir que as mulheres menstruem no espaço, o que é difícil, pois a água para lavagens é limitada e a troca de produtos sanitários enquanto se flutua no espaço é um desafio", explica Varsha Jain, em artigo publicado no The Conversation.

Tendo em vista a necessidade do uso da pílula, os pequisadores recomendaram algumas medidas de precaução. Ao invés de tomarem pílulas combinadas, as astronautas poderiam tomar pílulas de progesterona, que diminuem consideravelmente o risco de TVP.

 

Ainda assim, o estrogênio tem um papel importante na regulação do corpo de astronautas, pois ele está associado a propriedades que protegem os ossos, a perda óssea e muscula é um problema enfrentado por esses profissionais. Portanto, a recomendação dos pesquisadores é que, se necessário, as astronautas usem doses menores e mais seguras de estrogênio, fora a pílula.

Recomendações

Além disso, os pesquisadores também têm orientações para astronautas em geral, homens ou mulheres. Segundo eles, o ideal é que, durante a seleção para missões espaciais, exames de sangue mais rigorosos sejam feitos nos candidatos para avaliar quais são os reais riscos de desenvolverem TVP.

Alguns exercícios preparatórios para os voos também devem ser revistos. "Atividades durante o treinamento pré-missão — por exemplo, viagens de longo curso ou exercícios de mergulho para simular o ambiente espacial — podem aumentar temporariamente o risco de um coágulo sanguíneo se desenvolver", cita Jain. "Portanto, recomendamos que os horários desses eventos sejam revistos para que não ocorram em sucessão próxima, aumentando inadvertidamente o risco geral de desenvolvimento de um coágulo sanguíneo."

 


Em comunicado à imprensa, Virginia Wotring, professora associada da Universidade Espacial Internacional e coautora da pesquisa, ressalta a importância de mais estudos serem feitos com astronautas do sexo feminino, já que a maior parte deles analisa apenas os efeitos das viagens em homens. “[Isso porque] a maioria dos astronautas são homens. Mas isso tem mudado e agora precisamos entender como o ambiente do voo espacial afeta a fisiologia feminina", defende.

O estudo foi realizado em parceria com membros da Escola de Medicina Baylor e o Centro Espacial Lyndon B. Johnson, nos Estados Unidos, e a Universidade Espacial Internacional, sediada na França.

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