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Estudo com células esclarece como Sars-CoV-2 atinge o intestino

Coronavírus Sars-CoV-2 na borda de uma célula do intestino (Foto: Kèvin Knoops, Raimond Ravelli and Maaike de Backer: Maastricht University)

 

Cada vez mais a ciência entende como o novo coronavírus (Sars-CoV-2) se comporta no corpo humano. Ao que indica, ele atinge muito mais do que o sistema respiratório: há relatos de que pode provocar conjuntivite, trombose e até mesmo danos neurológicos.

E, segundo um estudo publicado na revista Science no último dia 1º de maio, o causador da Covid-19 também ataca o intestino — o que explica por que um terço dos pacientes apresenta sintomas como náusea e diarreia.

 

Para chegar a essa conclusão, cientistas holandeses usaram culturas celulares que reproduzem as células encontradas no intestino humano. Eles infectaram essas células com o Sars-CoV-2 e monitoraram a resposta celular ao microrganismo.

Células criadas em laboratório infectadas por Sars-CoV-2 (Foto: Joep Beumer/Hubrecht Institue)

 

Os especialistas notaram que as células se infectaram rapidamente, assim como o número de estruturas celulares contaminadas, indicando a replicação do vírus no intestino. Utilizando sequenciamento de RNA, os cientistas avaliaram a resposta das células intestinais ao novo coronavírus. Eles perceberam a ativação de uma proteína chamada interferon, produzida por leucócitos e fibroblastos para impedir a replicação de agentes infecciosos (como o Sars-CoV-2).

Só que, assim como outros estudos já demonstraram, a maior atividade da interferon não adianta muito: o novo coronavírus consegue infectar nossas células por meio da ACE2, enzima produzida em maior quantidade quando há alguma ameaça ao organismo. Nesse caso, então, acaba funcionando como porta de entrada para o Sars-CoV-2

Essas enzimas estão em órgãos como nariz, pulmão e, segundo o estudo publicado na Science, em grande quantidade no intestino. Além de esclarecer os sintomas gastrointestinais percebidos em alguns pacientes, esses achados também explicam por que o vírus pode ser detectado em fezes humanas mesmo após os sintomas respiratórios desaparecerem.

 

Mas, segundo Bart Haagmans, um dos principais autores do estudo, ainda não é possível dizer se a presença do vírus no intestino é, de alguma forma, infecciosa. “Nossos achados indicam que devemos olhar para isso mais de perto”, escreve o virologista em comunicado.

Os autores propõem, no entanto, que além de testes no nariz e na garganta, também seriam indicados exames no reto e em amostras fecais.

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