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Natasha Rothwell, de “Insecure”, fala sobre como é ser uma criadora negra na TV

A atriz e produtora Natasha Rothwell escreveu o oitavo episódio da quarta temporada de “Insecure“, protagonizada por Issa Rae. Este foi o primeiro crédito solo que recebeu em uma comédia de grande alcance na HBO.

Contudo, momentos antes do capítulo ir ao ar, o mundo enfrentou diversas manifestações antirracistas devido à morte de George Floyd, homem negro de 46 anos que foi morto por policial branco no dia 25 de maio. A questão se aproximou ainda mais de Rothwell após um dos atores da série, Kendrick Sampson, ter sido atingido pela polícia neste domingo (31) com um bastão e balas de borracha.

À reportagem da Variety, Rothwell falou sobre como está lidando com esse momento delicado. Ela também aproveitou a oportunidade para comentar o ativismo de “Insecure” e os dilemas que enfrenta sendo uma criadora negra na televisão estadunidense.

“Uma das coisas em que nos orgulhamos de nosso programa é não fingir que o que está acontecendo não está acontecendo, mas ele tem o objetivo de falar à resiliência de pessoas racializadas. Não temos o privilégio de parar e lamentar toda injustiça social – temos que ir trabalhar, temos que lutar, sobreviver e viver nossas vidas. Definitivamente, há momentos em nosso programa em que a luta pode não estar mais na vanguarda, mas está sempre em segundo plano porque somos pessoas negras. E assim, para nós, o verdadeiro poder do programa é mostrar desafiadoramente a nossa humanidade sendo normal. Não se trata de transformar Issa em uma protagonista negra ativista. O ativismo da nossa série é subversivo; nos permite dar voz à nossa humanidade.”

Rothwell também disse que é importante se ver no posto de criadora, pois assim pode-se contar a história de negros pela perspectiva de quem entende detalhadamente cada questão relativa à cor da pele. Além disso, ela destacou o interesse em mostrar que a protagonista da série não é “uma negra mágica”, e sim uma mulher comum com problemas comuns.

“Sou muito grata pelos criadores pretos de conteúdo não serem um monólito: somos matizados e todos nos sentimos inspirados a contar a história do que significa ser preto, dada a lente que temos. Como temos muitas opiniões diferentes sobre o que isso significa, e os efeitos do que está acontecendo na vida real, isso nos afeta de maneira criativa. E sinto que, ao convidar os negros a contar nossas histórias, sou grata por haver uma diversidade de histórias a serem contadas em nossa cultura.

(…)

[Issa] não é a melhor amiga [do branco], não é enfermeira, não está resolvendo os problemas dos brancos: ela é tão falha quanto a pessoa ao lado. Isso é tão necessário para mim quanto a arte de protesto direto para que se possa ver progresso, porque a questão real é que, sem narrativas matizadas – quando é muito preto & branco, e quero dizer de forma literal e figurativamente -, não somos vistos como completos e pessoas totais, somos generalizados, categorizados e diferenciados como ‘menos'”

Natasha revelou ainda como o fato de construir momentos humorísticos e leves podem parecer “frívolos”, deixando de contribuir para a luta antirracista, apesar da importância intrínseca que possuem ao se mostrarem um agente importante nas questões de saúde mental em meio à pandemia de Covid-19 e a latência dos protestos antirracistas.

“Estava literalmente olhando tweets e apenas chorando porque você vê pessoas dizendo: ‘Oh, esta é a primeira vez que eu ri em uma semana’; você tem ativistas que estão na linha de frente, que estão lidando com lesões reais sofridas na luta, dizendo: ‘Obrigada por este momento de leviandade'”. Isso me lembra que minha vocação é importante e, por isso, quero continuar a usar humor e subversão. Quero continuar usando gravidade e leviandade da maneira que ‘Insecure’ faz para contar histórias de outros grupos marginalizados . É importante para mim ter uma representação geral (…) E acho que uma das coisas que tento fazer para manter minha saúde mental é tentar controlar esse fluxo de informação. Eu acho que, para pessoas de cor, há uma tolerância muito baixa a ser inundada por essas imagens e, portanto, nossa rotina de autocuidado e saúde mental parecerá muito diferente da rotina de autocuidado e saúde mental para pessoas que não se parecem com a gente. Todo mundo tem uma resposta ao trauma que precisa ser calibrada em um nível individual, mas para mim eu tenho que manter o autocuidado e dar um passo à frente, mas isso não significa que tenho que ignorar o que está acontecendo. Eu tento equilibrar o meu dia de uma maneira que me envolva o máximo que posso – eu consumo o máximo que posso – e então, quando eu bato nessa parede em que sinto que foi gatilho ou que traumatizou, faço uma pausa”.

“Insecure” acompanha a história de Issa, uma mulher afro-descendente que navega a vida adulta com Molly, a melhor amiga, e ambas têm que lidar com términos, problemas no emprego e tudo mais que enfrentam devido a cor de suas peles. A série está atualmente na quarta temporada e você pode encontrá-la na HBO GO.

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