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Covid-19: entenda como funcionam as câmeras térmicas

Câmeras térmicas são utilizadas em aeroportos e estações de trem
Câmeras térmicas são utilizadas em aeroportos e estações de trem Divulgação/Dahua/Luiz Torres

Com a pandemia do novo coronavírus, muitas lojas e locais de grande movimentação tiveram de se adaptar a uma nova realidade e, como forma de reduzir a exposição à doença, passaram a medir a temperatura de cada pessoa que por ali passasse, já que a febre é um dos sintomas em quem está com a covid-19.

No dia a dia do comércio, os termômetros infravermelhos, que medem a temperatura corporal sem tocar na pessoa, são suficientes para evitar que alguém com febre circule entre os clientes e funcionários, mas em um aeroporto ou em um terminal de transporte público essa tarefa é bem mais difícil. Nessas situações, as câmeras térmicas está sendo usadas para monitorar multidões.

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Esse tipo de equipamento consegue medir a temperatura de cinco mil pessoas em 30 minutos. No caso dos aeroportos, há ainda um sistema de inteligência artificial para diferenciar humanos de animais, .

As vendas dessas câmeras no Brasil cresceram 374%, segundo reportagem publicada pela agência Reuters. Apesar do uso crescente, especialistas alertam para limitações que devem ser analisadas antes de fazer a compra e a instalação.

De acordo com o professor Marcelo Villalva, da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação da Unicamp, os corpos emitem radiação infravermelha e quanto maior a temperatura, maior é a intensidade dessa emissão. 

"O termômetro de radiação infravermelha possui uma lente que foca a luz sobre uma um sensor de calor. Esse sensor de calor produz um sinal elétrico que é proporcional à temperatura, que por sua vez, depende da quantidade de calor recebido na forma de radiação infravermelha" ,explica Villalva.

Esse princípio é aplicado também à câmera infravermelha, que transforma esses sinais em pixels coloridas, tornando possível ver um mapa de temperatura de uma pessoa, por exemplo.

A precisão dos sensores de cada equipamento varia de acordo com as características dos materiais, a distância da medição e o ângulo, como explica Héctor Azpúrua, pesquisador do ITV (Instituto Tecnológico Vale) e membro do IEEE (Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos).

"Esses sensores podem ver através da fumaça e da névoa, mas não conseguem atravessar vidros, objetos polidos ou sólidos. Esta é uma característica importante ao analisar o uso desse tipo de equipamento, especificamente no caso da análise de temperaturas em humanos. As câmeras térmicas não conseguem enxergar através da maioria das roupas, chapéus, óculos e malas usadas pela maioria das pessoas, assim, é necessário verificar a temperatura somente pelo rosto".

Azpúrua conta que esta limitação pode gerar resultados falsos, já que a pele do rosto é muito suscetível a mudanças de temperaturas no ambiente, sendo o ponto entre o olho e o nariz o local mais adequado para a medição.

Adriano Oliveira, gerente de soluções da Dahua Technology no Brasil, confirma que tais erros podem acontecer, mas conta que muitas das câmeras no mercado, incluindo as instaladas pela empresa no Aeroporto Internacional de Guarulhos, contam com softwares de inteligência artificial capaz de identificar o rosto da pessoa e buscar por este ponto nos olhos onde a aferição é mais precisa. Caso ele esteja coberto, passa-se para o segundo ponto mais preciso, a testa.

"A câmera está medindo a temperatura da pessoa no momento em que ela está passando. Então, se naquele momento a pessoa estiver transpirando muito, porque ela estava correndo, a temperatura dela vai ser maior e a câmera vai perceber isso. Então, o falso positivo pode ocorrer porque a câmera faz uma leitura correta, ela não faz uma estimativa", explica Oliveira.

Azpúrua explica, ainda, que existem diversas variáveis a serem consideradas na hora da escolha da câmera, como a distância do ponto em que será medida a temperatura e número de aferições simultâneas. Além disso, ressalta que tecnologias totalmente automatizadas podem enfrentar maiores problemas na detecção.

Segundo o pesquisador, apesar de a precisão dos sensores ter melhorado nos últimos anos, entregando resultados com até 0,3°C de margem de erro, a resolução destas câmeras ainda deixa a desejar. Para comparação, uma imagem normalmente é considerada em alta definição a partir de 720 pixels ou 1080 pixels; já para as câmeras térmicas uma imagem ganha essa denominação a partir de 480 pixels.

Por isso, mesmo sendo uma solução para tempos de enfrentamento à covid-19, é necessária uma segunda checagem de temperatura após a detecção de uma pessoas que pode estar com febre.

No metrô de Salvador, por exemplo, duas estações que têm a tecnologia das câmeras infravermelho instalada, após identificada a febre em um passageiro, é realizado o teste rápido da covid-19.

Ao todo, 496 pessoas já apresentaram temperatura maior ou igual a 37,8º C no serviço de trens. Destas, 224 mantiveram a alteração na contraprova e 27 deram resultado positivo para covid-19 no teste rápido. 

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