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Hoje deserto, Neguev já foi área de vegetação e lago profundo

Parque Nacional Ben-Gurion preserva animais
Parque Nacional Ben-Gurion preserva animais Abir Sultan/EFE/23-09-17

O deserto do Neguev ocupa mais da metade de Israel, com um área de 13 mil km², o que corresponde a 55% da área terrestre do país. Com um nível de precipitações (chuvas) muito baixo, em torno de 255 mm anuais, seu solo arenoso se tornou um desafio para Israel, que conseguiu desenvolver um moderno sistema que possibilita a água chegar à região.

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Mas, há cerca de 1,6 milhão de anos, a água era abundante em toda aquela área, que era cercada de plantas e animais.

A conclusão foi apresentada em artigo recente para a revista Frontiers in Earth Science, escrito pelo professor Hanan Ginat, em parceria com os professores Juan Cruz Larrasoaña, do Instituto Geológico e Mineiro da Espanha da Universidade de Zaragoza; Nicolas Waldmann, do Departamento de Geociências Marinhas da Universidade de Haifa; Steffen Mischke, do Instituto de Ciências da Terra da Universidade da Islândia e Yoav Avni, do Serviço Geológico de Israel.

Segundo o artigo, o que é hoje um território árido já foi, em outros tempos, uma região com vasta flora e fauna, que forneceu recursos para humanos pré-históricos, do tipo Homo Erectus. Havia um lago profundo, denominado Kuntila, de 80 km².

Pesquisadores encontraram fósseis na região, como ferramentas, conchas, ostras, alguns peixes pequenos, e muitas raízes, o que indicava a presença de muita vegetação no entorno do lago.

"O Neguev não parecia o Neguev de hoje. Provavelmente também havia animais ao redor do lago, mas no deserto é muito difícil encontrar restos", disse ele. "No entanto, o que descobrimos são cerca de 60 artefatos indicando que os humanos antigos, da espécie Homo erectus, provavelmente viviam ao longo das margens do lago", disse Ginat, ao The Jerusalem Post.

A pesquisa de Ginat visa a descobrir questões climáticas que possibilitaram a existência do gênero Homo no cenozóicona antiga Eurásia, criando uma ponte com a África, onde já era sabida a existência do Homo Erectus.

"Isso facilitaria a conexão biogeográfica entre a África e a Eurásia, esverdeando o caminho para a dispersão inicial do Homo fora da África. Mais pesquisas sobre os sedimentos do lago Kuntila serão necessárias para determinar melhor o momento, a extensão e o significado dessa conexão biogeográfica", escreveu Ginat no artigo da Frontiers in Earth Science.

Deserto rochoso, o Neguev abriga cidades como Beersheba e Arad. Também lá foi instalada a famosa Universidade Ben-Gurion, em homenagem ao ex-primeiro-ministro israelense, que tinha como uma das prioridades o cultivo no deserto. Ele via a região como o futuro de Israel, um desafio à superação de adversidades.

Para tanto, foi morar lá, no kibutz Sde Boker, como prova e estímulo de que a aridez poderia ser dominada. Na área de Sde Boker, há ainda o Parque Nacional Ben-Gurion, onde são preservados alguns animais típicos da região.

Em suas cinco regiões ecológicas, o Neguev é composto de montanhas marrons, planícies arenosas e leitos de rios secos que se enchem timidamente após chuvas, o que demonstra sua origem úmida.

“Nos últimos milhões de anos, houve pelo menos três períodos em que o Negev estava muito mais úmido do que hoje, com precipitações cerca de quatro vezes maiores: cerca de três, um e meio e meio milhão de anos atrás. A evidência que temos é representada pelos traços de vários lagos extremamente antigos ”, explicou o pesquisador.

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Pela explicação de Ginat, a transformação do Neguev em deserto acabou ocorrendo por causa de fenômenos como a erosão, a sedimentação e mudanças climáticas na Terra ao longo dos milênios.

Há algumas regiões nos desertos em Israel que ainda mantêm uma flora e fauna, mesmo cercadas de aridez. É o caso de Ein Gedi, com suas nascentes, grutas e animais no meio do deserto da Judeia, a oeste do Mar Morto e próximo à montanha de Massada.

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