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"Mentir sempre fez e fará parte da condição humana", diz criminólogo

Georg Frey (Foto: Reprodução UACH)

 

Você mente?

Se sua resposta for "não", sinto informar: é mentira! Falar a verdade 100% do tempo é praticamente (para não dizer totalmente) impossível. É partindo dessa premissa que o criminólogo Georg Frey escreveu o livro Eu sei que você mente!, publicado em 2020 pela editora Littera.

Especialista em comportamentos desviantes e psicopatas, o brasileiro é um dos fundadores da Unidade de Análise do Comportamento Humano (UACH), plataforma online que reúne profissionais especializados em comportamentos desviantes e que oferece cursos sobres essas questões. 

 

Frey trabalha há 29 anos na área e já participou de diversas investigações criminais, empresariais e até de contraespionagem. Seu novo livro é fruto dessas quase três décadas tentando entender por que mentimos e os efeitos disso. "Mentir é algo absolutamente democrático! Independe do nível social ou econômico, da identidade sexual, idade, geografia ou religião", diz o especialista em entrevista a GALILEU.

A seguir, confira a conversa completa e aprenda a detectar quando alguém está mentindo para você.

Afinal, por que as pessoas mentem?
Antes de mais nada preciso dizer que todos mentimos. Se alguém diz que não mente, já está contando uma mentira. Quem mente espera ter algum tipo de vantagem: financeira, profissional, social ou sexual. A pessoa sabe dos riscos que corre, mas sempre acha que, de alguma forma, pode valer a pena.

Por que saber desvendar uma mentira é importante ou útil? Existem momentos em que é melhor não desvendá-las?
Essa pergunta pede uma dupla resposta: sempre é útil, pois por trás de uma mentira pode haver um pedido de socorro.  Alguém em grande sofrimento que mente dizendo que está tudo bem pode estar sendo vítima de abusos e violências.

Deixamos o outro mentir quando sabemos que é algo inofensivo por estar na categoria de mentiras brandas ou sociais: “Eu te ligo”, “Aparece lá em casa”, “Vamos marcar alguma coisa”, “Isso nunca aconteceu comigo antes”, “Adorei o presente, era exatamente o que estava precisando”.

 

 


Quais são as táticas mais utilizadas pelos especialistas para detectar mentiras? Pode nos ensinar algumas?
Observe se a pessoa está piscando muito. Piscar rapidamente e com frequência maior que o normal é um forte indício de que a fisiologia dessa pessoa está alterada, assim como gaguejar, tropeçar nas palavras, ter respiração e batimentos cardíacos acelerados, dar detalhes demais sobre o que fez. São muitos os sinais involuntários de quem mente. O corpo sempre fala.

Considerando o perfil social e biológico das pessoas, quem mente mais? Homens ou mulheres? Ricos ou pobres?
Mentir é algo absolutamente democrático! Independe do nível social ou econômico, da identidade sexual, idade, geografia ou religião. As únicas diferenças já constatadas são que os homens mentem mais, e as mulheres mentem melhor.

O que diferencia um psicopata, um mentiroso patológico e uma pessoa que mente ocasionalmente? Existem mais "tipos" de mentirosos?
Os graus de perigo e intensidade. O psicopata é o detentor das mais elaboradas, convincentes e destrutivas mentiras. Estar na teia de um(a) psicopata geralmente é sinônimo de ter a sua vida destruída. O mentiroso patológico muitas vezes precisa de intervenção e tratamento, como um dependente de drogas. Já a mentira ocasional nascerá e morrerá conosco.

 


Você acredita que hoje as pessoas mentem mais? Ou em todas as "Eras" nossa sociedade encontrou motivos pra mentir?
Biblicamente ou historicamente, a mentira está registrada como um traço da nossa humanidade. Até nas mitologias encontramos os vetores das mentiras: Loki (nórdica), Hemera e Hermes (grega), Seth (egípcia), Anhangá (indígena brasileira).

Mentir sempre fez e fará parte da condição humana. Não mentimos mais do que os nossos antepassados. Se hoje achamos isso é por conta das redes sociais, que têm a capacidade de multiplicar uma mentira.

Por que algumas pessoas mentem para si mesmas? 
É uma situação triste e preocupante testemunhar um mitômano [alguém que mente para si mesmo] em nosso ambiente familiar, social ou de trabalho. Essas pessoas tornam-se dependentes e vítimas de suas mentiras, menos pelo autoconvencimento e mais pela necessidade de ser aceito e fazer parte de algum ambiente. Na maioria das vezes, percebemos e toleramos este comportamento por pena.

Em novo livro, criminólogo ensina a detectar mentiras (Foto: Reprodução)

 

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