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Pesticidas aumentam casos de esquistossomose onde são utilizados

Pesticidas aumentam casos de esquistossomose onde são utilizados (Foto: Pixabay)

 

O amplo uso de pesticidas e outros agroquímicos pode acelerar a transmissão do parasita responsável pela esquistossomose, segundo uma pesquisa liderada pela Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos. Em artigo publicado na edição de julho do Lancet Planetary Health, os cientistas explicam que as substâncias perturbam o equilíbrio ecológico onde são utilizadas, favorecendo a reprodução dos caramujos e dos vermes.

A esquistossomose (também conhecida como barriga d'água, febre do caramujo ou bilharzíaze) é uma verminose causada por platelmintos do gênero Schistosoma que se reproduzem em caramujos de água doce. A infecção se dá através do contato com água contaminada e pode desencadear danos nos órgãos internos, principalmente fígado e rins.

 

 

 

A contaminação de ambientes aquáticos por agrotóxicos pode resultas em mudanças importantes destes ecossistemas: afetando diretamente a sobrevivência do parasita, dizimando predadores que se alimentam dos caramujos e até alterando a composição das algas. Todas estas aumentam a incidência de caramujos e vermes, o que, por sua vez, faz crescer os casos de esquistossomose.

"Sabemos que a construção de barragens e a expansão da irrigação aumentam a transmissão da esquistossomose em ambientes de baixa renda, interrompendo os ecossistemas de água doce", disse Christopher Hoover, líder do estudo, em declaração. "Ainda assim, ficamos chocados com a força das evidências que encontramos também ligando a poluição agroquímica à amplificação da transmissão da esquistossomose."

O artigo foi resultado da análise de outros mil estudos referentes à incidência de esquistossomose. Os dados obtidos foram incorporados a um modelo matemático que relaciona a concentrações de agroquímicos ao número de doentes em determinada região.

Os pesquisadores descobriram que mesmo baixas concentrações de pesticidas podem aumentar a taxa de transmissão e interferir nos esforços para o controle da esquistossomose. "Precisamos desenvolver políticas que protejam a saúde pública, limitando a amplificação da transmissão da esquistossomose pela poluição agroquímica", afirmou Hoover. "Se conseguirmos criar maneiras de manter os benefícios agrícolas destes químicos ao mesmo tempo em que limitamos seu uso excessivo em áreas endêmicas da esquistossomose, poderemos evitar danos adicionais à saúde pública em comunidades que já enfrentam uma carga alta e inaceitável de doenças."

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