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A história da apresentação de Power Point que matou sete pessoas

Em 16 de janeiro de 2003, estava em andamento a missão STS-107, da Nasa. A bordo do ônibus espacial Columbia, sete tripulantes foram ao espaço para fazer pesquisas

A ideia era estudar os efeitos da microgravidade no corpo humano, além das formigas e aranhas que estavam a bordo

Na missão, os tripulantes passariam 16 dias em órbita, realizando 80 experimentos ao todo

Mas, na Terra, o controle da missão percebera algo errado: uma revisão de imagens de câmeras do lançamento mostrou que um pedaço revestimento do tanque se soltou e bateu na asa esquerda do ônibus espacial, afetando sua proteção térmica

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Pelas imagens das câmeras, era impossível saber o quão sério a colisão fora e o grau de risco que um problema térmico poderia causar durante a reentrada do veículo na atmosfera. Isso deixava a missão com algumas alternativas: a) seguir o curso normal, b) enviar um segundo ônibus espacial para resgate, c) pedir para um dos astronautas fazer uma caminhada especial e verificar a avaria

Conversas com engenheiros da Boeing, que projetaram o veículo, geraram um relatório resumido em uma apresentação de Power Point, com 28 slides. O ponto mais importante do relatório era que as condições reais de calor da reentrada eram 600 vezes mais quentes que os testes de laboratório

Em outras palavras, não era possível traçar conclusões baseado na segurança e resultados desses testes com problemas na proteção térmica

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O slide usado para passar essa informação está acima. A informação sobre condições reais de calor na reentrada do ônibus espacial na atmosfera ficou para a última linha, quase uma nota de rodapé, abaixo de diversos estudos tranquilizadores sobre a resistência das proteções do veículo. 

Os engenheiros da Nasa se convenceram que estava tudo bem após ver a apresentação da Boeing. Eles não sabiam o que aconteceria, mas sentiram que a tripulação não estava em risco

Foi um desleixo fatal. Em 1º de fevereiro de 2003, a data de pouso, os dados de temperatura mostraram um calor anormalmente alto no lado esquerdo da asa

Às 9h13 daquele dia, 4 minutos antes do horário marcado para o pouso, moradores de Dallas relataram que viram o ônibus espacial se desintegrando

Revisões e auditorias posteriores revelaram diversos erros. Edward Tufte, pesquisador de Yale e especialista em comunicação, foi direto ao ponto: segundo ele, grande parte da apresentação apontava para a capacidade dos ladrilhos externos do ônibus de resistirem ao calor

 Todo o alerta para as temperaturas de reentrada foram deixados para o final, como mostrou uma análise publicada no site Mcdreeamie-Musings. O uso de termos vagos e uma má organização dos dados se mostrou fatal

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