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"Lovecraft Country": 5 referências históricas na nova série de terror

Nova aposta da HBO, Lovecraft Country é protagonizada por Jonathan Majors e Jurnee Smollett-Bell (Foto: Divulgação)

 

Baseada no livro Território Lovecraft, de Matt Ruff, a série Lovecraft Country, da HBO, discute o racismo nos Estados Unidos a partir de uma ficção ambientada na década de 1950 e regada de terror. Após servir na Guerra da Coreia, o jovem Atticus Freeman (Jonathan Majors) retorna para os EUA com uma nova missão: encontrar o pai misteriosamente desaparecido. Com a ajuda de seu tio George (Courtney B. Vance) e a amiga Letitia (Jurnee Smollett-Bell), eles percorrem estradas do país assombradas por monstros e racistas — que muitas vezes são indistintos.

 

Amantes da literatura de terror, eles veem o pior lado do gênero tomar forma. Lovecraft Country também faz crítica ao racismo velado em obras clássicas, principalmente as do escritor norte-americano H. P. Lovecraft. Conhecido por fundar o horror cósmico e construir uma mitologia própria, pouco se fala sobre o preconceito dirigido a negros, judeus e outros grupos não brancos presente em seus escritos.

Produzida por Jordan Peele (Corra!), J.J. Abrams (Star Wars) e Misha Green, a série traz à tona o assunto com narrativa, figurino e trilha sonora impecáveis — não à toa, recebeu 100% de aprovação no Rotten Tomatoes

Para acompanhar a obra, que estreia neste domingo (16), às 22h, na HBO, explicamos cinco fatos históricos que contextualizam o período retratado pela série. Confira:

 

1. Leis de Jim Crow

A história se passa enquanto as leis de Jim Crow ainda estavam em vigor nos Estados Unidos. Criadas para segregar a população afro-americana, elas começaram a surgir após a Guerra Civil e a abolição da escravidão no país, assinada em 1863. A partir desse marco, leis estaduais e locais passaram a ser instituídas para separar negros e brancos em estabelecimentos, escolas, transportes, banheiros e até bedouros. As leis Jim Crow foram adotadas principalmente no Sul dos Estados Unidos e ficaram vigentes até a aprovação da Lei dos Direitos Civis de 1964. Ou seja, um século após o fim da escravidão no país.

Atticus retorna aos Estados unidos após servir na Guerra da Coreia (Foto: Divulgação)

 

2. Cidades do pôr do sol

Também criadas a partir do período de reconstrução do pós-guerra, as sundown towns eram cidades ou vilarejos que não permitiam a estadia de negros, intimidando a presença de pessoas não brancas por meio da violência e de leis segregacionistas locais. Até os anos 1960, era comum que esses lugares permitissem apenas a permanência de negros até o pôr do sol. No primeiro episódio, o trio protagonista é ameaçado por um policial de uma das cidades que tinham essa prática racista.

 

3. O Livro Verde do Motorista Negro

Mais conhecido após o lançamento do filme Green book (2018), a publicação foi criada pelo carteiro e escritor de viagens afro-americano Victor Hugo Green. O guia reunia indicações de lugares que aceitavam a estadia de viajantes negros, que frequentemente eram vítimas de discriminação em estradas, hotéis e restaurantes.

4. Denmark Vesey

O nome de um restaurante fictício de Lovecraft Country é uma homenagem ao homem que planejou a primeira grande revolta de escravos dos Estados Unidos, em 1822. Familiarizado com o movimento abolicionista do Haiti e leitor ávido de obras antiescravistas, Vesey conseguiu comprar sua liberdade por US$ 600 — e desde então lutou para que outras pessoas também a conquistassem.

Em 1822, liderou o plano de uma insurreição que pode ter envolvido até 9 mil escravos. Infelizmente, autoridades brancas souberam da revolta e reprimiram parte do movimento antes que a estratégia fosse posta em prática. Vesey foi um dos organizadores apreendidos e executados pela tentativa de insurreição.

Lovecraft Country também retratar o cenário musical norte-americano dos anos 1950 (Foto: Divulgação)

 

 

5. Debate entre James Baldwin e William F. Buckley

Além de contar com músicas de Etta James e B. B. King, a trilha sonora da série também apresenta um trecho de um discurso do escritor afro-americano James Baldwin durante um debate com o autor conservador William F. Buckley. A argumentação foi gravada na Universidade de Cambridge, nos Estados Unidos, em 1965, e buscava responder à questão: “O sonho americano foi alcançado às custas do negro americano?”

Enquanto Buckley defendia que o sonho americano poderia ser conquistado por todos que estivessem dispostos a persegui-lo, Baldwin usou sua experiência pessoal para apontar como os negros viviam em condições degradantes no país. Ovacionado, Baldwin saiu vencedor do debate, que está disponível na íntegra no YouTube.

Assista ao trailer de Lovecraft Country, que vai ao ar aos domingos a partir do dia 16, às 22h, na HBO:

 

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