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Medicamento com tripla ação é testado no Brasil para tratar Covid-19

Remédios (Foto: Freestocks/Unsplash)

 

A empresa francesa de biotecnologia Abivax anunciou nesta terça-feira (25) o início do estudo miR-AGE no Brasil, uma pesquisa clínica que irá avaliar a eficácia do medicamento ABX464 para o tratamento da Covid-19.

O remédio foi selecionado para testes contra a infecção pelo Sars-CoV-2 por apresentar tripla ação: ele é antiviral, anti-inflamatório e repara tecidos do corpo humano. Em experimento promissor, o ABX464 inibiu a replicação do novo coronavírus em culturas celulares do epitélio ciliado dos brônquios, que faz parte do tecido pulmonar.

 

 

 

Em teste pré-clinico, o medicamento também demonstrou ação anti-inflamatória ao ajudar no controle da expressão do micro-RNA 124, fragmento de material genético que diminui a expressão de diversas moléculas inflamatórias. Já a capacidade reparadora da droga ficou evidente em pacientes com colite ulcerativa que tiveram regeneradas suas lesões no trato digestivo.

Originalmente criado para tratar colite ulcerativa, Doença de Crohn e artrite reumatóide, o remédio também parece ser promissor para reduzir sintomas da Covid-19. "Ele foi comparado à ação e eficácia do remdesivir, são semelhantes nesse sentido", diz o médico Jorge Kalil, professor titular de imunologia clínica e alergia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador do estudo miR-AGE no Brasil, em entrevista a GALILEU.

Estudos clínicos

Mais de 300 pessoas já foram tratadas com o ABX464 na Europa, o que ampara a segurança clínica e o perfil de tolerabilidade do medicamento. Agora, o estudo miR-AGE chega à América Latina com a aprovação da Anvisa para a realização de testes no Brasil. México, Peru e Chile são outros países da região que estão a caminho de iniciar as pesquisas clínicas com o medicamento.

 

 

 

No total, 1.034 pacientes latino-americanos e europeus participarão dos testes, dos quais cerca de 800 devem ser brasileiros. A princípio, oito hospitais e centros de saúde espalhados por todas as regiões do país serão responsáveis por recrutar voluntários ao tratamento com o remédio — mais instituições devem passar a integrar o estudo nas próximas semanas. Todos são hospitais de referência com pronto-atendimento e grupos de pesquisa clínica bem estabelecidos.

Serão admitidos pacientes recém-diagnosticados, hospitalizados ou não, com mais de 65 anos ou com algum fator de risco para a doença (diabetes, hipertensão, obesidade e doenças cardíacas). Ao longo de 28 dias, os participantes receberão uma dose diária de ABX464 por via oral. Os primeiros 14 dias de tratamento, que equivalem ao período de quarentena previsto aos infectados, serão acompanhados por telefone. A partir da terceira semana (ou quando os pacientes receberem alta), eles deverão comparecer semanalmente ao hospital para serem monitorados.

Por ser um estudo randomizado controlado com placebo, os partipantes serão aleatoriamente divididos entre aqueles que tomarão o ABX464 e os que receberão placebo e tratamento padrão. A proporção entre os dois grupos é de 2:1.

Expectativas

O estudo miR-AGE está na fase 2b/3, em que irá avaliar se o medicamento é eficaz em reduzir o número de hospitalizações, uso de oxigênio de alto fluxo, uso de ventilação assistida e mortes. "A expectativa é que possamos diminuir muito a internação e as complicações da doença em pessoas de grupos de risco", relata Kalil. "Estamos confiantes em relação a isso porque, com a tripla ação do medicamento, vamos atacar os três principais problemas da doença: a replicação viral, o processo inflamatório e os prejuízos aos tecidos do pulmão." 

 

 

 

Segundo o médico, a previsão é de que o estudo seja concluído até o fim do ano. Para mais informações sobre a pesquisa miR-AGE, acesso o site, ligue ou envie uma mensagem de WhatsApp para 0800 454 54 54 (das 8h às 17h).

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