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Qual a forma do Sistema Solar? Pode ser a de um croissant amassado

Qual a forma do Sistema Solar? Pode ser a de um croissant. Acima: modelo em 3D da heliosfera desenvolvia no novo estudo (Foto: Merav Opher, et. al)

 

Em parceria com a Nasa, quatro pesquisadores norte-americanos acreditam ter descoberto mais pistas sobre o formato da heliosfera, que envolve o Sistema Solar. Em um artigo publicado na revista Nature Astronomy, os astrônomos definiram a forma como um "croissant amassado".

Para compreender a importância da descoberta, entretanto, primeiro é necessário entender o que é a heliosfera. Trata-se da região periférica do Sol que é afetada pelos ventos da estrela e por seu campo magnético. Na prática, essa área compreende todo o Sistema Solar e se estende por bilhões de quilômetros até a chamda heliopausa, que marca a fronteira com o espaço interestelar.

 

 

 

A heliosfera também serve como "escudo", protegendo o Sistema Solar de partículas altamente energéticas e velozes que viajam pelo Universo a partir de evento interestelares, como supernovas. De acordo com os autores do estudo, essa "bolha" absorve cerca de três quartos dos raios cósmicos galácticos que viajam pelo espaço.

Embora parte dessas partículas atinjam a Terra, graças à atmosfera e ao campo magnético, nosso planeta está protegido. Já os astronautas e os aparelhos eletrônicos que estão fora do globo terrestre não têm a mesma sorte e precisam de equipamentos especiais para se proteger dos raios cósmicos.

A importância da forma
Saber como a heliosfera se parece é importante justamente porque sua configuração influencia na maneira em que os raios cósmicos galácticos atingem as diferentes partes do Sistema Solar. Portanto, ter mais informaçõs sobre essa "bolha" em que vivemos é peça-chave no desenvolvimento de tecnologias mais resistentes — tanto para a robótica quanto para futuros projetos de exploração espacial.

A heliosfera protege o Sistema Solar dos raios cósmicos provenientes de outras regiões do espaço (Foto: NASA’s Goddard Space Flight Center/Conceptual Image Lab)

 

Além disso, a forma da heliosfera é parte do quebra-cabeça para buscar vida em outros mundos. Entre os fatores essenciais para a existência da vida como a conhecemos estão exatamente a atmosfera e o campo magnético da Terra, que protegem o planeta dos raios cósmicos prejudiciais.

Logo, aprender como a heliosfera "blinda" o Sistema Solar e como ela mudou ao longo do tempo é muito importante para saber onde mais no Universo o fenômeno acontece. "Se quisermos entender nosso ambiente é melhor compreendermos tudo sobre a heliosfera", disse Avi Loeb, coautor da pesquisa, em declaração.

Croissant amassado
Há anos astrônomos de todo o mundo investigam a questão, aprofundando o debate sempre que alguma nova medição ou estudo sobre o assunto surge. Enquanto boa parte dos cientistas acreditam que a heliosfera se pareça com um cometa (um circulo com um dos lados alongado), outras análises sugerem que ela seja um círculo quase perfeito. 

 

 

 

Grande parte dessas ideias se baseia em informações enviadas pela sonda Cassini, que estudou Saturno entre 1997 e 2007, e em dados provenientes das sondas Voyager 1 e 2, que foram lançadas em 1977 e são as únicas a já terem chegado ao espaço interestelar. 

A nova pesquisa, entretanto, considerou majoritariamente outra fonte: detectores de partículas energéticas situadas na própria Terra. Os dados coletados foram analisados por um modelo computacional que compara informações obtidas por missões espaciais às oriundas da nova análise.

Outro equipamento essencial para o estudo foi a sonda New Horizons, lançada em 2006 com objetivo de investigar Plutão. A New Horizons consegue captar íons pickup, partículas que são ionizadas no espaço e se movem junto com o  vento solar. Esses íons, entretanto, são muito mais quentes do que as outras partículas — e isso é muito útil para os cientistas.

Para alguns cientistas, a heliosfera tem o formato de um cometa (Foto: NASA’s Scientific Visualization Studio/Conceptual Imaging Lab)

 

"São dois fluidos misturados. Você tem um componente que é muito frio e outro que é muito mais quente, os íons pickup", explicou Merav Opher, líder do estudo, em comunicado. "Se você tem um pouco de fluido frio e fluido quente e os coloca no espaço, eles não se misturam, evoluem separadamente."

De acordo com a pesquisadora, diferenciar as partículas foi crucial para que pudessem aprimorar a técnica computacional e, assim, modelar a heliosfera em 3D. O resultado? Um formato semelhante ao de um croissant, mas um pouquinho amassado.

 

 

 

Como explica Opher, os íons pickup dominam o sistema, o que de fato sugere sua forma esférica. Contudo, por conta do campo magnético e dos ventos solares, a trajetória dessas partículas sofre um desvio, resultando em um formato alongado nas "pontas" da "bolha".

Ilustração representa a localização das sondas Voyager 1 e Voyager 2 na héliosfera (Foto: NASA)

 

Futuro
Os pesquisadores sabem que este estudo não coloca um ponto final na discussão sobre a forma da heliosfera. Eles acreditam que novas pesquisas são necessárias, mas, além disso, destacam que a evolução da tecnologia e futuras missões espaciais serão o que realmente esclarecerá a questão.

Uma delas é a Sonda de Aceleração e Mapeamento Interestelar, com lançamento previsto para 2024, cujo objetivo é justamente investigar a heliosfera. Outra é a Sonda Interestelar, desenvolvida pelo Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, que será lançada na década de 2030. "Com a Sonda Interestelar, esperamos resolver pelo menos alguns dos inúmeros mistérios que as Voyagers começaram a desvendar", comentou Opher.

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