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Sistema imunológico de homens e mulheres difere na resposta à Covid-19

A Covid-19 é menos mortal do que se pensava, mas não é "só uma gripezinha". Pacientes com o novo coronavírus no Hospital Imam Khomeini em Teerã, no Irã (Foto: Mohsen Atayi/Wikimedia Commons)

 

Em um artigo publicado nesta sexta-feira (28) na Nature, pesquisadores da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, revelaram possíveis explicações biológicas do porquê homens são mais propensos a desenvolverem casos graves de Covid-19 do que mulheres. A pesquisa focou em como o sistema imunológico das pessoas responde à infecção pelo Sars-CoV-2.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), até agora a pandemia já afetou mais de 24 milhões de pessoas em todo o mundo, mantando 832 mil delas — e 60% eram homens. Além disso, uma pesquisa realizada na Inglaterra, revelou que homens podem enfrentar quase o dobro do risco de morte pela doença do que as mulheres.

 

No novo estudo, os pesquisadores coletaram amostras nasais, de saliva e de sangue de pessoas não infectadas, bem como de pacientes que testaram positivo para a Covid-19. A equipe acompanhou como a resposta imune dos voluntários com o novo coronavírus evoluiu ao longo do tempo, dedicando especial atenção às diferenças entre o sistema imunológico daqueles que desenvolveram quadros leves e graves.

Os cientistas observaram que os homens apesentavam níveis mais elevados de vários tipos de proteínas inflamatórias chamadas citocinas, incluindo duas conhecidas como IL-8 e IL-18. Essas partículas são implantadas como parte da reação imune inata do corpo, pois são as primeiras a responder à chegada dos patógenos. 

 

No entanto, em casos graves de Covid-19, um acúmulo excessivo dessas proteínas, a chamada "tempestade de citocinas", faz com que um fluido se acumule nos pulmões, privando o corpo de oxigênio e, potencialmente, levando ao choque, danos aos tecidos e falência do órgão. Segundo os especialistas, a chance de isso acontecer com os homens é mais alta, fazendo com que eles desenvolvam quadros mais graves.

Em contraste, os pesquisadores descobriram que pacientes do sexo feminino tinham uma ativação mais robusta das células T, que podem reconhecer vírus invasores individualmente e  eliminá-los. Já entre os homens (principalmente os mais velhos), a resposta dessas partículas se mostrou bem mais fraca, levando ao agravamento da doença.

"Agora temos dados claros que sugerem que o panorama imunológico em pacientes com a Covid-19 é consideravelmente diferente entre os sexos e que essas diferenças podem estar subjacentes ao aumento da suscetibilidade a doenças nos homens", explicou Akiko Iwasaki, líder da pesquisa, em comunicado. "Coletivamente, esses dados sugerem que precisamos de estratégias diferentes para garantir que os tratamentos e vacinas sejam igualmente eficazes para mulheres e homens."

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