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Araucária pode ser extinta nas próximas décadas por conta de desmatamento

Araucária pode ser extinta nas próximas décadas por conta de desmatamento (Foto: Rafael Vianna Croffi/Wikimedia Commons)

 

A araucária (Araucaria angustifolia), também conhecida como pinheiro-brasileiro ou pinheiro-do-paraná, é uma planta nativa da região sul do Brasil que está em risco crítico de extinção, segundo a lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais. Estima-se que atualmente a floresta de araucárias ocupe 3% de sua área original. Um estudo publicado em 2019 na revista Global Change Biology prevê o fim da espécie até 2070 se nenhuma estratégia de conservação for posta em prática.

Uma espécie de conífera, a araucária remonta a 200 milhões de anos, no período Jurássico, e pode chegar a 50 metros de altura. No Brasil, predomina no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná (do qual é a planta-símbolo), e está presente de forma mais esparsa em São Paulo e Minas Gerais. É a principal espécie da floresta ombrófila mista, ecossistema da Mata Atlântica que ocorre em regiões de maior altitude, com chuva no ano inteiro.

 

Sua principal característica é a copa em formato de candelabro, no topo do tronco. A semente, o pinhão, é utilizado na culinária regional e é um complemento de renda de produtores locais. A madeira de alta qualidade é muito versátil para a indústria e, no século 19, representou tanto uma fonte de renda extra para os colonos europeus que chegaram ao país, quanto a própria matéria-prima de suas casas. Mais tarde, durante a Segunda Guerra Mundial, foi o principal produto de exportação do Paraná — o apogeu foi no ano de 1963, quando a araucária foi responsável por 92% das exportações madeireiras do Brasil.

Araucárias no Parque Nacional Aparados da Serra, Rio Grande do Sul (Foto: Germano Roberto Schüür/Wikimedia Commons)

 

Conforme as reservas naturais diminuíram, a produção madeireira também declinou. Ainda hoje, nenhuma ação de reflorestamento conseguiu superar a derrubada. De acordo com o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, em 2019 o desmatamento no bioma cresceu 27,2%, com uma perda total de 14.500 hectares de floresta. A madeira da Araucária ainda é usada ilegalmente para abastecer de tábuas a construção civil.

Além da ameaça pela ação humana direta, as mudanças climáticas no século 21 representam um risco para as araucárias. Segundo o estudo publicado na Global Change Biology, o ecossistema da floresta ombrófila mista depende de um clima com temperatura anual média de 12 a 20 ºC e frequentes geadas, condições que seriam raras em um cenário de aquecimento global.

 

“Lembrando que o que está em jogo não é apenas uma espécie, mas todo um ecossistema com uma grande diversidade de plantas, como imbuias e canelas, e animais, como o papagaio-de-peito-roxo”, disse Guilherme Karam, coordenador de Negócios e Biodiversidade da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, em comunicado à imprensa.

A Fundação Grupo Boticário e a Fundação CERTI mantêm a Araucária+, iniciativa que promove a conservação do ecossistema por meio de um modelo de negócio junto aos proprietários de áreas naturais. No projeto, os donos de terra são estimulados a adotar práticas sustentáveis de manejo do solo e da vegetação, em especial da colheita das sementes de pinhão e das folhas de erva-mate, que é uma planta nativa na floresta ombrófila mista.

Entre as práticas adotadas, estão a não retirada da totalidade do pinhão (garantindo uma parte para a alimentação da fauna nativa) e a retirada gradual do gado de áreas sensíveis. A pecuária é outro fator de risco ao ecossistema, já que os animais pisoteiam e compactam solo, dificultando a germinação de sementes nativas. Em contrapartida, a iniciativa mobiliza sua rede para vender o pinhão e as folhas de mate para novos mercados

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