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Encontrada primeira galáxia com luminosidade comparável a de um quasar

Encontrada primeira galáxia com luminosidade comparável a de um quasar (Foto: DESI Legacy Imaging Surveys/Gabriel Pérez Díaz, SMM (IAC))

 

Cientistas do Centro Espanhol de Astrobiologia e do Instituto de Astrofísica das Canárias descobriram uma nova galáxia, batizada de BOSS-EUVLG1, cuja luminosidade ultravioleta é comparável a de um quasar, o fenômeno mais brilhante do Universo. O achado será publicado em breve no Monthly Notices of the Royal Astronomical Society Letters, mas uma primeira versão do estudo já está disponível no ArXiv.

 

BOSS-EUVLG1 tem um desvio para o vermelho de 2,47, taxa que pode ser usada para encontrar sua distância da Terra — quanto maior o valor, mais longe o ponto analisado está. No caso da nova galáxia, os astrônomos descobriram que ela foi observaram quando tinha aproximadamente 2 bilhões de anos, cerca de 20% de sua idade atual.

Como contam os pesquisadores, a galáxia é tão brilhante que, inicialmente, eles pensaram que fosse um quasar. Entretanto, estudando os dados mais a fundo a equipe percebeu que a alta luminosidade nas emissões ultravioleta e Lyman-alfa se deve ao grande número de estrelas jovens e massivas em BOSS-EUVLG1, além de pouca poeira e metalicidade.

Segundo os especialistas, a taxa de formação de estrelas nessa galáxia é muito elevada, em torno de mil massas solares por ano, cerca de mil vezes maior do que a da Via Láctea, embora a galáxia seja 30 vezes menor em tamanho. "Essa taxa de formação de estrelas é comparável apenas às galáxias infravermelhas mais luminosas conhecidas", explicou Ismael Pérez Fournon, coautor do estudo, em declaração. "Mas a ausência de poeira em BOSS-EUVLG1 permite que sua emissão ultravioleta e visível chegue até nós quase sem ser atenuada."

 

Os resultados do estudo sugerem que BOSS-EUVLG1 é um exemplo das fases iniciais da formação de galáxias massivas. Isso porque, apesar da alta luminosidade e taxa de formação de estrelas, a baixa metalicidade indica que o sistema não teve tempo de enriquecer seu meio interestelar com poeira e metais recém-formados.

De acordo com os cientistas, a galáxia irá evoluir para uma fase mais empoeirada, semelhante às galáxias detectáveis pela radiação infravermelha. Além disso, os pesquisadores destacam que sua alta luminosidade no espectro ultravioleta durará apenas algumas centenas de milhões de anos, um período muito curto na evolução de uma galáxia. "Isso explicaria por que outras galáxias semelhantes a BOSS-EUVLG1 não foram descobertas", ponderou o coautor Claudio Dalla Vecchia.

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