Ads Top

"Mrs. America": conheça as protagonistas do debate feminista que inspirou a série

Estrelada por Cate Blanchett, a série Mrs America estreia no Brasil em 19 de setembro (Foto: Divulgação)

 

Se a maioria as mulheres pode votar, trabalhar e escolher o rumo de suas vidas hoje, isso se deve às décadas de conquistas da luta feminista, que visa garantir a igualdade de direitos entre homens e mulheres. Com o crescimento do movimento no decorrer da história, não apenas diferentes correntes foram surgindo como também opositores ao avanço da luta por equidade.

É o caso de Phyllis Schlafly, uma advogada conservadora norte-americana que buscava frear o os direitos femininos nos anos 1970. Ela foi uma das vozes contra a Emenda da Igualdade de Direitos (Equal Rights Amendment ou ERA, em inglês) nos Estados Unidos, que dava a garantia constitucional de igualdade de gênero. Essa jornada inspirou a série Mrs. America, cujos dois primeiros episódios estreiam na FOX Premium neste sábado (19), às 22h15.

 

Através dos olhos de Schlafly e das ativistas da segunda onda do feminismo, a minissérie explora o cenário político que mudou o curso da história. Além da advogada conservadora, interpretada pela vencedora do Oscar Cate Blanchett, as feministas Gloria Steinem (Rose Byrne), Betty Friedan (Tracey Ullman), Shirley Chisholm (Uzo Aduba), Bella Abzug (Margo Martindale) e Jill Ruckelshaus (Elizabeth Banks) também viraram peronagens e ganharam destaque.

Com roteiro fluido que conecta e fortalece as narrativas, cada episódio apresenta as forças e contradições de uma dessas ativistas. O resultado é impecável. Não é para menos que Mrs. America concorre a um total de 10 Emmys, incluindo as categorias de Melhor Minissérie, Melhor Atriz, Melhor Atriz Coadjuvante e Melhor Roteiro.

Conheça a história real das personagens por trás da trama:

Phyllis Schlafly

Phyllis Schlafly (Foto: Wikimedia Commons)

 


Interpretada por Cate Blanchett, Schlafly foi uma advogada conservadora que teve grande influência na história do Partido Republicano dos Estados Unidos. Nascida em 1924, em uma família de classe média, estudou em escolas particulares e cursou a graduação na Universidade de Washington.

Seu objetivo era entrar para a política: em 1952, concorreu ao Congresso pelo distrito de Illinois. Mas a campanha, defensora da moralidade e dos valores cristãos, foi perdida para o democrata Charles Melvin Price. Ao longo do tempo, Phyllis escreveu ensaios que exaltavam o anticomunismo e criticavam todos os tipos de ideais socialmente progressistas. Em outubro de 1972, a advogada voltou-se contra o feminismo e fundou o movimento STOP ERA, que visava barrar o direito constitucional à igualdade de gênero. Ela mobilizou milhares de donas de casa e cristãs que apoiavam suas ideias, instruindo-as como falar com a imprensa e desenvolver um discurso antifeminista.

Schlafly também foi fundadora do Eagle Forum, uma organização que defende os valores do Partido Republicano. No entanto, a hipocrisia de sua trajetória é visível em Mrs. America: enquanto lutava para que as mulheres ficassem em casa, exercia uma profissão majoritariamente masculina, percorria os Estados Unidos de forma independente e, o mais importante, desejava autonomia para tomar suas próprias decisões.

Em uma entrevista para a revista Variety, Blanchett disse que aceitou o papel para entender as crenças da personagem. “Acho que, como muitas pessoas, estava me recuperando do processo e dos resultados da eleição de 2016 nos Estados Unidos e queria entender como chegamos a um ponto em que as mulheres pareciam estar votando contra seus próprios interesses”, disse, em referência à vitória de Donald Trump contra Hillary Clinton. “Eu queria saber o que a movia e descobri que havia uma necessidade terrível de estar certa, uma necessidade profunda de fazer o mundo à sua imagem e um medo da mudança".

 

Gloria Steinem

Gloria Steinem (Foto: Wikimedia Commons)

 

 

A jornalista, interpretada pela atriz Rose Byrne, nasceu em Ohio, nos Estados Unidos e se tornou uma importante ativista da segunda onda do movimento feminista. Em 1971, Steinem foi uma das mais de trezentas mulheres que fundaram o National Women's Political Caucus (NWPC) — uma organização dedicada ao recrutamento, treinamento e apoio a mulheres que buscam cargos no governo dos Estados Unidos. 

Ela foi fundadora da revista Ms., em 1972, na qual foi editora durante 15 anos. Entre seus artigos mais provocadores, estão os títulos Se os Homens Menstruassem e Por Que As Jovens São Mais Conservadoras. Outro texto icônico é Eu fui Coelhinha da Playboy — nele, a autora conta como se infiltrou na revista masculina e percebeu comportamentos sexistas, machistas e até abusivos. 

Em uma entrevista para o site The Guardian, Steinem afirma que não concordou com o roteiro da série. Segundo ela, Schlafly foi “trazida no último minuto” para fazer parecer que as mulheres se opunham aos direitos iguais quando a verdade era que “a vasta maioria” sempre os apoiou, disse. “A série faz parecer que as mulheres são nossos piores inimigos, o que nos impede de reconhecer quem são os verdadeiros adversários."

Betty Friedan

Betty Friedan (Foto: Wikimedia Commons)

 

 

A personagem interpretada por Tracey Ullman é essencial para a história das mulheres. Ela foi a escritora do best-seller A Mística Feminina, de 1963, que aborda o que ela chamou de “problema sem nome” — um sentimento de vazio existencial que não poderia ser suprido pela vida no lar. Na obra, Friedan mostra como as mulheres incorporaram um imaginário feminino criado por homens que haviam voltado da guerra desejando que suas companheiras se resumissem a esposas e mães. 

Em 1966, a ativista também foi uma das fundadoras da National Organization of Women (em português, Organização Nacional de Mulheres), uma organização feminista estadunidense que visa lutar pelos direitos das mulheres. 

 

Shirley Chisholm

Shirley Chisholm (Foto: Wikimedia Commons)

 

 

 

Shirley Chisholm foi a primeira mulher negra eleita ao Congresso estadunidense (1968), representando o distrito de Nova York. O cargo, que durou sete mandatos, permitiu que ela lutasse pela igualdade racial e de gênero no país. Além disso, nas eleições de 1972, ela se tornou a primeira pré-candidata negra à presidência dos Estados Unidos.

Nascida no Brooklyn, Nova York, em 30 de novembro de 1924, Chisholm era a mais velha de quatro filhas de pais imigrantes e operários. Quando adulta, trabalhou em uma creche e obteve o título de mestre em educação infantil pela Universidade de Columbia, em 1951. Mais tarde, em 1960, ela se tornou consultora da Divisão de Creches da cidade. Como sempre desejou a carreira política, concorreu e se tornou a segunda pessoa afro-americana no Legislativo de NY. Lá, apresentou mais de 50 propostas de lei e lutou contra a desigualdade e a favor do fim da Guerra do Vietnã.

Sua jornada continou até 1982, quando se retirou da vida política. No entando, suas ideias são seguidas até hoje. Em 2015, sua atuação foi reconhecida com a Medalha Presidencial da Liberdade, considerada a maior condecoração civil dos Estados Unidos.

*Com supervisão de Larissa Lopes.

Nenhum comentário:

Tecnologia do Blogger.