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Rita de Cássia dos Anjos: brasileira premiada busca origem de raios cósmicos

Rita de Cássia dos Anjos: astrofísica premiada busca origem de raios cósmicos (Foto: Divulgação)

 

Curiosidade e pensamento crítico sempre foram dois princípios indispensáveis para a família de Rita de Cássia dos Anjos, professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Incentivada pela mãe, enfermeira, a cientista aprendeu desde cedo a questionar como e por que as coisas funcionavam. "Minha relação com a minha mãe sempre foi muito rica, porque ela sempre se interessou por ciência", lembra dos Anjos, em entrevista a GALILEU.

Muito antes de se tornar especialista em raios cósmicos, a paixão da astrofísica era mesmo a biologia, por influência da atuação da mãe na área da saúde. Foi apenas no cursinho pré-vestibular que a física passou a ser a matéria favorita da jovem estudante. Em 2003, ingressou na primeira turma de física biológica na Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp): o primeiro passo para uma carreira científica que, neste ano, foi agraciada pelo Prêmio L’Oréal-Unesco-ABC Para Mulheres na Ciência na categoria Ciências Físicas.

 

Com mestrado e doutorado em física concluídos na Universidade de São Paulo (USP), dos Anjos se especializou em física teórica. Hoje, é uma das principais pesquisadoras brasileiras investigando galáxias starburst, sistemas onde há uma intensa formação de estrelas, luminosidade e ventos fortes. Por essas características, estudos apontam que essas galáxias tenham um papel essencial na aceleração e propagação de raios cósmicos, que são partículas de alta energia que chegam à Terra na velocidade da luz e podem nos dar pistas sobre a história e formação do Universo.

"Com o apoio do Prêmio L’Oréal-Unesco-ABC, irei investigar a conexão deste tipo de galáxia com a física dos raios, correlacionando a trajetória de raios gama e neutrinos com a localização de galáxias starburst próximas — a 326 milhões de anos-luz de distância", explica a astrofísica. A partir de modelos e simulações matemáticas, a pesquisadora espera reconstruir o caminho desses raios até a Terra e determinar a fonte deles. Para cumprir essa missão, ela contará com os dados do Observatório Pierre Auger, na Argentina, que detecta partículas que atravessam nossa atmosfera.

Como professora da UFPR, cargo assumido em 2014, dos Anjos vê a conquista do prêmio como uma oportunidade de reconhecer a importância da ciência básica. "Em países emergentes como o Brasil, esse trabalho é pouco valorizado", avalia. "Além disso, é uma alegria muito grande poder participar desse grupo seleto de jovens mulheres cientistas, que, apesar dos desafios que encontram diariamente nos laboratórios, como a falta de verba e de materiais, produzem estudos de alta qualidade e dão retorno à sociedade."

 

Além de desenvolver pesquisas, a astrofísica também encontra outras formas de retribuir para a sociedade o conhecimento construído dentro da universidade, como a criação de projetos de extensão e de formação de jovens e professores. Uma das iniciativas com as quais colabora é o Rocket Girls: Meninas na Astronomia e na Astronáutica, que leva conceitos de astronomia e robótica para alunas de escolas públicas da cidade de Palotina, município em que dos Anjos dá aulas na UFPR.

"Nem todos os alunos têm o mesmo incentivo da família que eu tive para me tornar cientista. Por isso, as escolas e universidades têm um papel fundamental em incentivar a experimentação e mostrar como a ciência é feita", diz dos Anjos.

Para a astrofísica, ir até as escolas e se apresentar como cientista e professora universitária é também um ato de incentivo a jovens estudantes negros. "O segundo passo é continuar o incentivo das cotas, porque precisamos dessa estrutura para manter alunos negros dentro da universidade e do restante da vida acadêmica", defende.

Jovem destaque na astronomia nacional, Rita de Cássia dos Anjos ainda fez carreira mundo afora, com passagens pela Universidade da Cidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos, e pelo Síncrotron de Elétrons Alemão. Também concluiu um pós-doutorado no Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica, nos EUA, em 2019.

Lugar de mulher é na Ciência (Foto: Divulgação)

 

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