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Vocalização de consoantes aspiradas pode disseminar Covid-19, diz estudo

Vocalização de consoantes aspiradas pode disseminar Covid-19, diz estudo (Foto: Jessica Da Rosa/Unsplash)

 

A Covid-19 é majoritariamente disseminada por gotículas de saliva contaminadas que saem da boca ou do nariz das pessoas quando tossem e espirram, mas também enquanto falam ou simplismente respiram — daí a importância do uso de máscaras. Os cientistas não sabem ao certo quais fonemas são mais "perigosos", mas, para o linguista Georgios Georgiou, da Universidade Russa da Amizade dos Povos, as consoantes aspiradas provavelmente fazem parte desse grupo.

 

Em um estudo que será publicado na edição de novembro da Medical Hypotheses, o linguista russo defende que a vocalização de consoantes aspiradas (sons acompanhados pela exalação de ar), pode contribuir de forma importante para a disseminação do novo coronavírus. Segundo ele, o fenômeno poderia explicar porque a chance de contágio é mais altas em algumas partes do mundo que em outras, por exemplo.

Pode parecer uma ansálise estranha, mas não é a primeira vez que a disseminação de doenças é relacionada às características dos idiomas. Quando um surto de Sars surgiu no sul da China em 2003, 8 mil casos da doença foram registrados em 26 países. Desses, 70 ocorreram nos Estados Unidos e nenhum no Japão — mesmo com o número de turistas japoneses naquela parte do mundo sendo muito maior.

Vocalização de consoantes aspiradas pode disseminar Covid-19, diz estudo (Foto: RUDN)

 

À época, alguns cientistas sugeriram uma explicação linguística para o ocorrido. Enquanto a comunicação usada pelos chineses com os japoneses era em japonês, um indioma com poucas consoantes aspiradas, para falar com os norte-americanos era preciso utilizar o inglês, cujo número de fonemas acompanhados de exalação de ar, como [p], [t] e [k], por exemplo, é muito maior.

 

Com a pandemia do novo coronavírus, Georgios Georgiou resolveu investigar se o mesmo fenômeno estava acontecendo. Para isso, ele usou os dados oficiais de 26 países com mais de mil casos de Sars-CoV-2 registrados até o dia 23 de março de 2020. Os idiomas estudados foram divididos em dois grupos de acordo com a presença ou ausência de consoantes aspiradas.

"Nosso estudo não incluiu a Suíça porque tem vários idiomas oficiais", explicou o cientista, em comunicado. "Também excluímos países com muitos ou poucos casos por milhão de residentes, como Itália e Japão, respectivamente, para evitar valores extremos."

Como explicou o linguista, embora as diferenças observadas não tenham sido estatisticamente significativas, os países que falam predominantemente línguas com consoantes aspiradas tiveram mais casos de Covid-19 — 255 a cada 1 milhão de residentes, em comparação com 206 casos por milhão no segundo grupo. 

 

O pesquisador também fez questão de ressaltar que o estudo teve diversas limitações, pois não considerou fatores como o distanciamento social implantado nos diferentes países. Ainda assim, o linguista acredita que sua hipótese tem fundamentos sólidos e pode ser estudada em uma futura pesquisa em larga escala.

"Embora nenhuma relação clara tenha sido observada, não descartamos que a disseminação de Covid-19 possa ser parcialmente devida à presença de consoantes aspiradas na principal língua de um país", afirmou Georgios Georgiou. "Esse pode ser um insight valioso para epidemiologistas."

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