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Covid-19: estudos de longo prazo serão necessários após aprovação de vacina

ciência, laboratório, experimento, vacina, pesquisa, estudo, ilustração, cientista, vírus (Foto: DrAfter123 / Getty Images)

 

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Oxford, na Inglaterra, e publicado nesta terça-feira no The Lancet Infectious Diseases, acende um sinal amarelo sobre as expectativas de uma possível vacina contra a Covid-19. De acordo com a pesquisa, é improvável que um único imunizante seja a solução para a pandemia, e mais: ainda não se sabe se as candidatas são eficazes contra formas graves da doença.

 

“É improvável que tenhamos uma única vacina vencedora na corrida contra a Covid-19. Diferentes tecnologias trarão vantagens distintas que são relevantes em diferentes situações e, além disso, provavelmente haverá desafios com a fabricação e fornecimento de uma única vacina na escala necessária, ao menos inicialmente", comentou Susanne Hodgson, autora do estudo, em nota à imprensa.

Na pesquisa, os cientistas revisaram artigos científicos para avaliar quais são os principais desafios na elaboração de um imunizante contra o SaRS-CoV-2. Atualmente, existem 44 vacinas em fase de estudos clínicos (com humanos) e mais 154 em desenvolvimento pré-clínico (com animais). Os cientistas de Oxford argumentam que, para ajudar a comparar a eficácia entre elas, é importante que parâmetros de avaliação padronizados e quantificáveis ​​sejam aplicados aos ensaios clínicos e que suas limitações e vieses sejam compreendidos.

Para Hodgson, adotar uma abordagem padronizada para medir o sucesso das vacinas em ensaios clínicos será importante para fazer comparações entre as candidatas. Assim, as que forem mais eficazes podem ser levadas adiante para uso mais amplo.

Casos graves

Outra ponderação da pesquisa é que parece improvável avaliar, apenas em ensaios clínicos breves, a eficácia da vacina contra casos graves de Covid-19. Dessa forma, estudos de longo prazo serão essenciais. “Para determinar se uma vacina protege contra a Covid-19 severa, um ensaio clínico precisa mostrar que há significativamente menos casos graves em indivíduos vacinados em comparação com indivíduos que não foram imunizados", pontua Kate Emary, coautora do estudo. "No entanto, apenas uma pequena proporção de indivíduos infectados com Sars-CoV-2 desenvolvem doença grave, o que significa que um número extremamente grande de voluntários é necessário em um ensaio clínico para que haja casos suficientes para obter uma medida confiável da eficácia da vacina", complementa. Para ela, isso significa que, provavelmente, só saberemos se uma vacina protege contra episódios severos quando grande população tenha sido imunizada.

 

 

Por fim, os autores concluem que é "imperativo" que os resultados de eficácia de qualquer uma das candidatas  sejam avaliados criticamente com rigor científico. Eles observam que, embora alguns países possam implantar imunizantes apenas com base nos dados de segurança e resposta imunológica, o objetivo de uma vacina é também garantir eficácia contra casos graves da doença — o que ainda não está evidente em relação ao novo coronavírus.

Estudos de desafio

Outro ponto analisado na revisão publicada no Lancet diz respeito aos chamados estudos de desafio com humanos (challenge trials, em inglês). Nesse tipo método, durante os ensaios clínicos, os voluntários são deliberadamente infectados a fim de analisar a eficácia de uma vacina ou tratamento. Mas, segundo os cientistas de Oxford, no cenário da Covid-19, esses estudos incluem majoritariamente pessoas jovens, o que pode ser um problema para medir a eficácia do imunizante em idosos.

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