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"A epidemia de diabetes diz respeito a todos", clamam cientistas em estudo

Atualmente, existem mais de 500 milhões de pessoas em todo o mundo com diabetes tipo 2 (Foto: Creative commons)

 

Estima-se que 463 milhões de pessoas tenham diabetes no mundo. Só em 2019, 4,2 milhões morreram em razão do problema e suas complicações. A doença é responsável por reduzir a expectativa de vida de pessoas de meia idade em 4 a 10 anos, e é  um dos principais fatores de risco para morte por doenças cardíacas, renais ou câncer.

Essa é também uma das principais causas de cegueira e de amputações não traumáticas de pés e pernas, principalmente em pessoas economicamente ativas. Além disso, durante a pandemia, descobriu-se que pacientes com diabetes têm pelo menos duas vezes maior probabildade de desenvolver formas graves de Covid-19 ou morrer pela infecção do Sars-CoV-2.

 

Por isso, neste ano, às vésperas do Dia Mundial do Diabetes, celebrado em 14 de novembro, a Comissão sobre Diabetes do periódico The Lancet divulgou uma série de recomendações feitas por 44 especialistas que se dedicaram por quatro anos a desenvolver uma estratégia integrada de combate à doença. O relatório produzido pela equipe será publicado nesta sexta-feira (13) no The Lancet e foi financiado pela Universidade Chinesa de Hong Kong, pelos Centros para Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos e pela Fundação Croucher.

Segundo a comissão, o gerenciamento eficaz do diabetes deve se basear em seis estratégias. Uma delas é a redução de peso em pacientes com obesidade em ao menos 15 quilos, o que pode reduzir a remissão do diabetes tipo 2 por até dois anos. Diminuição nos níveis de açúcar, pressão arterial e colesterol também segue sendo prioridade no tratamento da condição — o que pode reduzir entre 10% e 20% as causas de morte em pacientes com diabetes tipo 2.

Quando o assunto é prevenção, a redução de fatores de risco pelo uso de medicamentos como estatinas e inibidores do sistema renina-angiotensina (RAS) pode evitar de 20% a 40%  de eventos cardiovasculares e renais em pessoas com risco se tornarem diabéticas. Os especialistas também notaram que o uso de inibidores de SGLT2 e agonistas do receptor de GLP-1 pode reduzir eventos cardiovasculares renais e taxas de mortalidade em até 40%.

 

Melhorias nos serviços de saúde também são essenciais para o combate à doença: o uso de cuidados integrados orientados por dados pode reduzir de 20% a 60% as mortes de pacientes com diabetes tipo 2. Por fim, a última estratégia indicada pelo relatório aponta que uma intervenção estruturada no estilo de vida dos pacientes e o uso de metformina (um antidiabético oral) podem prevenir ou retardar em 30% a 50% o diabetes tipo 2 em pessoas com pouca tolerância à glicose.

Os especialistas esperam que a adoção dessas estratégias gere um grande impacto no quadro mundial da doença. Atualmente, há 217 milhões de casos de diabetes tipo 2 em apenas 10 países de renda média baixa (China, Índia, Brasil, México, Indonésia, Egito, Paquistão, Bangladesh, Turquia e Tailândia), o que representa quase metade de todos os casos da doença no mundo todo.

A Comissão estima que, se não tratadas, 3,2 milhões possam morrer em três anos, sendo 1,3 milhão de morte causadas por doença cardiovascular. Aplicando todas as medidas indicadas pelo estudo, no entanto, 800 mil mortes prematuras podem ser evitadas.

 

Para os pesquisadores, a prevenção ao diabetes é de responsabilidade coletiva e "transcende domínios políticos, econômicos, sociais e tecnológicos." "Ao proteger nosso meio ambiente, mudando nossa prática e capacitando nossas comunidades, podemos reduzir o fardo do diabetes como a causa raiz de muitas doenças não transmissíveis", afirma Juliana Chan, professora da Universidade de Hong Kong e líder do relatório. "A epidemia de diabetes é um chamado que diz respeito a todos nós, já que todos contribuíram com o ecossistema de uma forma ou de outra para alimentar a epidemia."

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