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Dispositivo ajuda pacientes com paralisia severa a controlar máquinas

Dispositivo ajuda pacientes com paralisia severa a controlar máquinas (Foto: The University of Melbourne/Reprodução)

 

Dois pacientes severamente paralisados pela esclerose lateral amiotrófica (ELA) foram capazes de escrever textos, mandar e-mails e até fazer compras online com o auxílio de um dispositivo implantado no cérebro. Por conta da doença neurológica degenerativa, que ficou conhecida por atingir o astrofísico britânico Stephen Hawking, nenhum dos pacientes tinha habilidade completa para mover seus membros superiores.

O aparelho, chamado de Stentrode™, foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Melbourne, do Hospital Real de Melbourne, do Instituto Florey para Neurociência e Saúde Mental, da Universidade Monash e da empresa Synchron Australia. Os resultados do primeiro teste clínico com a tecnologia são animadores e foram compartilhados no periódico Journal of NeuroInterventional Surgery  no fim de outubro.

 

 

“Esta é a primeira vez que uma operação desse tipo é feita, então não podíamos garantir que não haveria problemas, mas em ambos os casos a cirurgia foi melhor do que esperávamos”, disse, em nota, o professor Peter Mitchell, diretor do Serviço de Neurointervenção do Hospital Real de Melbourne, na Austrália.

O dispositivo foi implantado pelas veias dos pacientes, próximo ao córtex motor do cérebro, em uma técnica que envolve uma pequena incisão no pescoço. “O procedimento não é fácil", afirma. "Em cada cirurgia, havia diferenças dependendo da anatomia do paciente." Apesar das dificuldades, o procedimento foi um sucesso e os pacientes conseguiram se recuperar em poucos dias.

Resultados promissores

O uso do Stentrode ™ pelos pacientes foi combinado com uma tecnologia capaz de rastrear o movimento ocular para mover o cursor do computador, dispensando a utilização de mouses ou teclados. Por isso, os voluntários que passaram pela cirurgia receberam um treinamento para aprender a controlar as várias ações do cursor, como o zoom e o clique com o botão esquerdo. Os dois primeiros pacientes alcançaram uma precisão média de cliques de 92% e 93%, respectivamente, e velocidades de digitação de 14 e 20 caracteres por minuto com texto preditivo desativado.

 

“Estamos entusiasmados em informar que entregamos uma tecnologia sem fio totalmente implantável, para levar para casa, que não requer cirurgia cerebral aberta, que funciona para restaurar a liberdade para pessoas com deficiência grave”, comemora Thomas Oxley, CEO da Synchron Australia.

Os pesquisadores esperam que a tecnologia ajude a dar independência aos pacientes com paralisia, auxiliando a cumprir tarefas básicas do dia a dia. Recentemente, a pesquisa recebeu 1,48 milhões de dólares australianos (equivalente a R$ 6 milhões) do governo australiano, para que os testes sejam expandidos para hospitais de New South Wales e Queensland, admitindo novos participantes.

Abaixo, confira as imagens e explicação do implante do Stentrode ™:

 

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