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Europa, lua de Júpiter, brilha no escuro por conta de radiação

A lua Europa de Júpiter emitiria seu brilho em razão da radiação (Foto: NASA)

 

Em nova análise, cientistas do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa no Sul da Califórnia detalharam pela primeira vez características da superfície de uma das luas de Júpiter, a Europa. Diariamente, o corpo celeste recebe uma alta taxa de radiação do planeta que orbita, tendo sua superfície cheia de gelo atingida por cargas de elétrons. À medida que essas partículas atingem o satélite, elas fazem com que Europa brilhe no escuro.

 

O fenômeno acontece em razão de diferentes compostos salgados que reagem à radiação e emitem seu próprio brilho. A olho nu, esse brilho poderia parecer verde, azul ou branco, com diferentes graus a depender do material.

"Pudemos prever que esse brilho noturno no gelo poderia fornecer informações adicionais sobre a composição da superfície de Europa. A variação dessa composição poderia nos dar pistas se essa lua teria condições adequadas para a vida", disse, em nota, Murthy Gudipati, autor principal do trabalho publicado nesta segunda-feira (9) na Nature Astronomy

Os cientistas também acreditam que ao analisar a superfície de Europa, seja possível descobrir mais informações sobre o enorme oceano interno que ela possui, localizado sob a crosta de gelo que cobre o satélite.

Para estudar uma simulação de laboratório da superfície de Europa, a equipe do JPL construiu um instrumento exclusivo chamado Câmara de Gelo para Teste de Ambiente de Radiação e Elétrons de Alta Energia da Europa (Ice-Heart). Eles o levaram para uma instalação de feixe de elétrons de alta energia em Gaithersburg, Maryland, nos Estados Unidos, e começaram os experimentos para testar como o material orgânico sob o gelo de Europa reagiria a explosões de radiação.

 

Eles não esperavam, porém, que houvessem variações no brilho da superfície vinculadas às diferentes composições de gelo. "Ver a salmoura de cloreto de sódio com um nível de brilho significativamente mais baixo foi o momento que mudou o curso da pesquisa", disse Fred Bateman, co-autor do artigo.

Missão na órbita de Júpiter

Com lançamento previsto para meados desta década, a próxima missão principal da NASA, Europa Clipper, observará a superfície da lua enquanto orbita Júpiter. Cientistas da missão estão revisando as descobertas dos autores para avaliar se um brilho seria detectável pelos instrumentos científicos da espaçonave. É possível que as informações coletadas pela missão possam ser combinadas com as medições da nova pesquisa para identificar os componentes ou diminuir o que eles podem ser.

"Não é sempre que você está em um laboratório e diz: 'Podemos encontrar isso quando chegarmos lá'", disse Gudipati. "Normalmente é o contrário — você vai lá, encontra algo e tenta explicar no laboratório. Mas nossa previsão remonta a uma simples observação, e é disso que trata a ciência."

 

Embora a Europa Clipper não seja uma missão de detecção de vida, ela fará um reconhecimento detalhado da Europa e investigará se a lua gelada, com seu oceano subterrâneo, tem a capacidade de sustentar vida. Compreender a habitabilidade de Europa ajudará os cientistas a entender melhor como a vida se desenvolveu na Terra e o potencial para encontrá-la além do nosso planeta. 

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