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Gene identificado em Sars-CoV-2 pode explicar seu caráter pandêmico

Cientistas encontraram genes sobrepostos no vírus que causa a Covid-19 (Foto: CDC / Unsplash)

 

Pesquisadores do Museu Americano de História Natural, nos Estados Unidos, descobriram um gene "oculto" no Sars-CoV-2, o vírus causador da Covid-19, que pode ter contribuído para seu potencial pandêmico e biologia única. De acordo com o estudo publicado na revista eLife, entender exatamente a composição do material genético do vírus pode ajudar no combate à doença. 

 

"A sobreposição de genes pode ser uma das maneiras pelas quais os coronavírus evoluíram para se replicar com eficiência, impedir a imunidade do hospedeiro ou serem transmitidos, disse o autor Chase Nelson, em nota. "Saber como eles funcionam pode revelar novos caminhos para o controle do coronavírus, por exemplo, por meio de remédios antivirais."

O ORF3d, como foi chamado, também está presente em outros tipos de coronavírus que atingem pangolins, o que indica momentos de perda e ganho desse gene durante a evolução do Sars-CoV-2 e seus "parentes". Os especialista identificaram ainda que o gene estimula uma forte resposta de anticorpos em pessoas com a Covid-19, demonstrando que sua proteína é fabricada durante a infecção.

"Ainda não sabemos sua função ou se há significado clínico", pondera Nelson. "Mas prevemos que é relativamente improvável que esse material seja detectado por uma resposta de células T, em contraste com a resposta de anticorpos. E talvez isso tenha algo a ver com como o gene foi capaz de surgir."

Os genes são formados por cadeias de letras que transmitem informações (em vírus RNA, as quatro bases nitrogenadas A, U, G, e C). Mas os genes também podem ser sobrepostos e multifuncionais, com informações criptografadas, dependendo de onde você começa a "ler".

Genes sobrepostos são difíceis de detectar, e a maioria dos programas de computador científicos não foi projetada para localizá-los. No entanto, eles são comuns em vírus. Isso ocorre em parte porque os vírus de RNA têm uma alta taxa de mutação, então eles tendem a manter sua contagem baixa para prevenir um grande número de mutações. Como resultado, os vírus desenvolveram uma espécie de sistema de compressão de dados em que uma letra em seu genoma pode contribuir para dois ou até três genes diferentes.

 

"A falta de genes sobrepostos nos coloca em risco de ignorar aspectos importantes da biologia viral", alerta Nelson. "Em termos de tamanho do genoma, o Sars-CoV-2 e seus parentes estão entre os vírus RNA mais longos que existem. Portanto, eles são talvez mais propensos a 'truques genômicos' do que outros vírus RNA."

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