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Gloria Groove fala sobre o EP “Affair”: “Gosto de me reinventar, mudar e ver do que sou capaz”

O EP foi lançado no dia 1º de dezembro (Divulgação)

Entre os lançamentos desta semana, está o novo EP da Gloria Groove. O projeto, que se chama “Affair”, teve a última faixa liberada nas plataformas digitais na terça-feira (1). Ela já chegou acompanhada de um clipe super glamouroso que mostra uma batalha de dança entre criador e criatura.

Assista:

No total, o EP contém cinco faixas. Elas foram lançadas gradualmente desde o mês de outubro, construindo uma narrativa de amor e tensão. Ali, a artista realizou um desejo antigo: mergulhar em várias vertentes do R&B, que serviu de inspiração para ela no início da carreira.

Por telefone, nós conversamos com a Gloria para discutir o conceito por trás das novas músicas, a reação do público diante das novidades e o que ela planeja para o futuro. Além de tudo isso, ainda sobrou tempo para falar sobre como as drag queens estão finalmente bombando no Brasil.

Bora conferir?

***

Papelpop: Antes de tudo, queria te parabenizar pelo lançamento! E sabe o que eu reparei? Em 2019, você lançou o EP “Alegoria” antes de todas as faixas ganharem clipes. Desta vez, as canções foram saindo gradualmente junto com os respectivos vídeos. Por que decidiram mudar a estratégia? 

Gloria Groove: Nossa, sim! Teve isso… Essa foi uma das principais diferenças entre o último trabalho e este. Eu acho que a minha vontade era que as pessoas conhecessem a música e o projeto como um todo de uma vez só. Foi daí que veio a decisão de mostrar uma canção de cada vez e as pessoas só terem o EP completo, finalizado, com a chegada da última faixa. Inclusive, as músicas não saíram na ordem da tracklist, né?! Isso vem da nossa vontade de fazer com que “A Tua Voz” fosse o primeiro single, porque acho que é uma música muito forte e marcante.

Eu vi nos nossos arquivos que você deu uma entrevista para gente logo após o lançamento de “Alegoria”. Na época, você disse que ainda não tinha conseguido parar para comemorar a chegada do projeto porque tinha outros três clipes para entregar. Como as coisas mudaram no “Affair”, já deu para aproveitar a estreia? 

Tudo neste ano está acontecendo de um jeito meio diferente. Eu acho que o jeito que estou conseguindo acompanhar a reação das pessoas é como todo mundo tem feito: pela internet, assistindo aos vídeo de reacts e conferindo as reações das pessoas nas redes sociais. Tudo está acontecendo de um jeito diferente, mas estou conseguindo curtir muito. Eu estive presente como nunca nas fases de pré-produção deste trabalho, desde confecção até as ideias de roupa. No EP, tem composições de mais de dois anos atrás e outras super novas. Enfim, eu estava presente em absolutamente tudo e deu para ficar bem imersa no universo de “Affair” por não ser um ano corriqueiro, no qual teria que dividir a vida entre shows e tudo o mais.

Você chegou a ficar a insegura em relação à forma como o público reagiria diante das novas músicas? Por que com “Affair” você mergulhou total no R&B, né? 

O “Affair” para mim aconteceu como um grande “por que não?”. Eu acho que me vi em um momento no qual sabia que o planejamento de ninguém seria o mesmo por causa da pandemia, que a gente teria que se reorganizar e se reinventar. E acredito que uma fase focada no R&B já era um sonho em comum, entre eu e os fãs, há tanto tempo que realmente veio nesse momento como um “ué? por que não fazer isso?”. Algumas das faixas já existiam e eu fui só complementando com o que achava que faltava ali. Foi assim que aconteceu. Então, esse receio que supostamente viria foi substituído completamente pelo alívio de ter conseguindo fazer um trabalho que: a-) eu amo muito e me identifico 100%; b-) traz conforto e acalento para as pessoas em um momento tão difícil.

Mas, além de ter inovado musicalmente, você também se apresentou de uma forma diferente nos clipes desse novo EP. O Daniel ganhou muito mais destaque. A sua intenção é investir em aparecer mais desmontada ou só foi algo que quis tentar por causa do conceito do projeto? 

Neste caso, foi completamente para combinar com o que o projeto traz. Acho que aparecer ali como o Daniel foi um jeito de usar meu corpo como ferramenta para contar a minha história com o R&B. Esse estilo esteve na minha vida desde sempre, desde quando a Gloria Groove ainda não existia. Então, é como se uma fase da Gloria Groove focada em R&B fosse muito de mim, muito do Daniel, muito do meu trabalho de agora. E também tem o fato de que “Affair” retrata uma paixão, um caso romântico que tem tensão sexual, briga, desilusão e superação. Acho que o maior affair  que existe na minha vida é o de criador e criatura. Por isso, foi importante trazer a minha figura dos dois jeitos neste projeto em particular. Dá para dizer que foi uma coisa proposital para completar o conceito desta era.

Eu adoro que seus projetos sempre vêm muito coesos e com conceitos. Às vezes, fico pensando se você investe um tempão nisso ou se tudo costuma ser bastante natural…

Ah, isso é uma construção que vai acontecendo no meio do caminho. Eu acho que o que vai ser o conceito do projeto, o que vai amarrar toda essa família de músicas visualmente é uma linguagem que acontece depois, em uma fase em que a gente está justamente tentando entender o que é essas faixas estão dizendo, o que elas têm em comum. Comigo o processo costuma ser assim. Até hoje, não produzi um álbum que idealizei por completo antes e só depois executei. Tem músicas dentro do “Affair” que existem há tanto tempo que a gente não sabia para o que ou se elas seriam usadas. Hoje elas estão na rua…

Entendi! Bom, de qualquer forma, “Affair” veio com tudo em um momento em que as drags brasileiras estão fazendo um baita sucesso. Aqui, recentemente estamparam a capa da Vogue, Pabllo já fez feat. com um monte de gringo e você foi elogiada pela SZA naquele vídeo em que canta de “Hit Different”. Isso é muito legal, né? Como se sente fazendo parte dessa galera? 

É a sensação de estar no caminho certo. Eu amo sentir que sou associada a pessoas com as quais me identifico demais, sabe? Desde pessoas que são minhas amigas há muitos anos, como a Pabllo, até aquelas que são ídolas e eu acreditava que eram super distantes, mas hoje estão me reconhecendo pelo meu trabalho. É a sensação de estar fazendo a coisa certa na hora certa. Fico feliz que meu trabalho está se popularizando dentro do nicho com o qual me identifico. Isso é bom, é maravilhoso!

E nesse embalo acho que dá para falar de “Nasce Uma Rainha”, aquela série que você apresenta junto com Alexia Twister para a Netflix. Me conta como foi trabalhar nesse projeto?

“Nasce Uma Rainha” foi fenomenal, uma verdadeira escola para mim, um baita aprendizado. Eu não sabia como seria a Gloria apresentadora, mas me diverti muito fazendo o programa porque ele tem muito a ver com a minha missão no mundo, que é conseguir incentivar outras pessoas a também olharem para dentro e encontrarem a própria potência. Acho que tem tudo a ver com o que vivo. Eu consegui me conectar com o programa muito rápido. E, ao poucos, com a Alexia, fui construindo essa dinâmica de dupla. A Alexia é outra artista fenomenal, uma gênia do universo drag e foi um prazer compartilhar com ela essas histórias. Bom, a minha parte no episódio não é uma das missões mais fáceis, né? Eu tenho que ter contato com a família ou alguém que faz parte da vida da nossa rainha e não aceita, necessariamente, que ela quer ser drag. Foi maravilhoso para mim praticar essa comunicação, esse tato, essa malemolência na hora de contornar os problemas que a gente tem né… As pessoas da nossa comunidade têm histórias muito parecidas. Então a gente aprendia todos os dias, tendo que ser fadas madrinhas no meio desses conflitos.

Então super toparia participar de algo assim de novo?

Super! Adoraria me descobrir mais como apresentadora. “Nasceu Uma Rainha” foi uma experiência fenomenal!

Apesar de tudo, fazendo uma retrospectiva, é inegável que 2020 foi um ano bem cheio para você. É muito cedo para perguntar as suas resoluções de ano-novo? O que 2021 reserva para Gloria Groove?

[Risos] Ai, eu quero muito continuar amadurecendo, crescendo. Estou muito feliz com o “Affair” porque ele representa realmente um crescimento, um amadurecimento para mim quanto artista e pessoa. Acho que ele está cumprindo a sua missão de refletir como eu me sinto neste momento enquanto ser humano. E estou curiosa para ver o que vai ser de mim… Geralmente, quando a gente é artista e entrega uma coisa que estava guardada há tanto tempo, bate aquela necessidade de fazer uma coisa completamente nova que refresque um pouco isso tudo. Por isso, definitivamente, qualquer coisa que eu for fazer depois de “Affair” vai ser bem diferente. Eu gosto de me reinventar, de mudar, de ver do que sou capaz de fazer. Ah, em 2021, também quero estar fazendo shows, é claro. Não vejo a hora de poder estar de novo com as pessoas, divulgando o meu trabalho e vivendo as nossas vidas.

Que venha 2021!

 

Ouça “Affair” na sua plataforma favorita:

Spotify | Deezer | Apple Music

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