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O que achamos de “Dancing With The Devil”, a nova série documental de Demi Lovato

Série será divida em quatro episódios, lançados a partir desta terça (23) (Foto: Divulgação/YouTube)

É bem verdade que já estamos acostumados a ver Demi Lovato em documentários autobiográficos, um movimento espontâneo que começou, mais especificamente, em 2012. Àquela altura, o público pode assistir “Demi Lovato: Stay Strong”, obra em que a artista decidiu falar sobre seus distúrbios alimentares e problemas psicológicos pela primeira vez.

Mas é legal lembrar que muito mudou desde então. Não apenas quase uma década se passou, como também a jornada de recuperação de Demi teve altos e baixos – algo que seu segundo filme, “Simply Complicated” (2017), não hesitou em mostrar. Sob essa linha de pensamento, no encalço do anúncio da série “Dancing With The Devil” (‘Dançando com o diabo‘, em tradução livre), muitos fãs questionaram na web “o por que de mais um documentário”, ou mesmo “qual seria sua necessidade”. 

O novo projeto, dividido em quatro episódios e lançado pelo YouTube Originals em fragmentos a partir desta terça-feira (23), oferece uma resposta simples e direta: era preciso dar a Demi o poder de contar e reger a própria história, mostrando em um papo franco com o espectador as várias linhas cruzadas em sua trajetória, que culminaram em uma overdose em 2018 – episódio este que quase a matou. 

Com a proposta de não omitir ou esconder detalhes sobre os fatos que levaram a artista a duelar com o vício, o projeto se apoia ainda em uma tentativa de mostrar como Demi se encontra atualmente. Ao longo dos episódios, entre uma conversa e outra, ela esmiúça questões que vão além da dependência química, tangendo suas relações com família e amigos. 

Pensando no foco de tudo, não vou mentir. Este longo documentário é um soco no estômago em vários momentos e, como alguém que acompanha a carreira da artista desde o início, ouvi-la compartilhando detalhes de seus dramas pessoais – seja na abordagem de assuntos como abandono, estupro, distúrbios alimentares, ou mesmo falando da depressão – não é algo confortável, digno de entretenimento.

Aliás, acredito que essa é a verdadeira proposta: fazer com que o público abra os olhos sobre a “romantização” de abusos físicos e mentais, bem como sobre o uso de drogas, potencializando o rompimento de filtros. O ponto principal é seu universo muito além da fama, já que, para além da garota que cresceu no showbizz, ela se revela ali, sentada e contando histórias, um ser-humano complexo, com diversas camadas e traços.

São eles mesmos os responsáveis por levá-la a um patamar que todos reconhecem como chocante, embora, igualmente, tenham agido para que sua sobrevivência à overdose – hoje considerada um milagre – tivesse sido bem sucedida. É interessante observar também a presença de agentes coadjuvantes como amigos, família, médicos, segurança e personalidades famosas. Elton John, Christina Aguilera e Will Farrell são alguns dos colegas essenciais no trabalho de detalhar acontecimentos e percepções, mas mais que isso: permitir que desdobramentos ganhem destaque.

“Você já pensou em abandoná-la alguma vez?” é uma das perguntas que o mediador faz aos amigos e familiares entrevistados. O filme também repete outra pergunta, capciosa, que muitos não teriam coragem de verbalizar: “Por que é diferente dessa vez [em relação à sobriedade]?”. A humildade e vulnerabilidade que a resposta da artista carrega pode não ser o suficiente para alguns – como para Elton John, que vive há 30 anos sóbrio. Mas Demi parece confiante que a saída que encontrou é o suficiente para seguir em frente e batalhar. Um dia por vez. 

A carreira musical não é o foco, mas também não deixa de ser um assunto trabalhado nos episódios. Primeiro, porque um novo álbum está a caminho (e deve, com certeza, cumprir essa função). Mas antes, para que se entenda como tudo deve se estabelecer a partir do mês de abril, quando o projeto chega às plataformas, o longa nos permite acompanhar como foi seguir em frente em todos os sentidos, entre eles o profissional.

“Qual gravadora vai querer me assinar como artista deles?”, Demi se questiona em uma das cenas e depois agradece ao compartilhar a notícia do gerenciamento musical de ninguém menos do que Scooter Braun, proprietário da Big Machine Records e cabeça por trás de outros grandes nomes da indústria, entre eles Justin Bieber e Ariana Grande. Ele também revela que já teve problemas pessoais com dependência química.

 

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O novo passo dado na música serve como lembrete da existência de um novo capítulo. Muito além de revelações polêmicas, “Dancing With The Devil” procura fugir do sensacionalismo. Garante, ao invés, um olhar íntimo não só em relação a vida pessoal da protagonista, como também em relação à explicações um tanto quanto didáticas sobre o universo caótico das celebridades, volta e meia marcado pela presença de drogas, traumas psicológicos e abusos nos campos físico e mental.

A narrativa, portanto, se torna sobre consequências e por isso mesmo entrega brutalidade e veracidade. Como? Ao não se limitar apenas a relatos e entrevistas, mas ao divulgar fotos e registros, tanto novos quanto antigos, que ilustram diversas fases e momentos da vida da cantora. Os avisos de gatilhos com contatos de emergências em uma tela preta antes de cada episódio começar são provas da seriedade do conteúdo abordado e um lembrete de que pode haver sempre uma mão estendida. 

Quando tudo se encerra, tem-se a certeza de estar diante de uma obra pautada na vulnerabilidade humana, para além de conflitos e consequências. Ao se expor, Demi Lovato consegue fazer com que a pauta abordada ganhe mais visibilidade do que a sua persona – pronta para enfrentar seus demônios e discutir, por que não, temas de grande relevância como sexualidade, feminilidade e relacionamentos. É o agarrar de uma oportunidade nova e honesta, que oferece à vida uma nova chance.

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A série documental “Demi Lovato: Dancing With The Devil” estreia o primeiro de quatro episódios na próxima terça-feira, 23 de março, no YouTube Originals.

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